Teste nuclear norte-coreano é 'possível' em 2011, diz Seul

A Coreia do Norte pode realizar seu terceiro teste nuclear em 2011, a fim de fortalecer as credenciais do futuro líder Kim Jong-un, segundo relatório divulgado na sexta-feira por um instituto ligado à chancelaria sul-coreana.

YOO CHOONSIK E SYLVIA WESTALL, REUTERS

24 de dezembro de 2010 | 09h19

Na véspera, Pyongyang ameaçou usar seu arsenal atômico numa "guerra sagrada" contra o Sul, que por sua vez realizou grandes exercícios militares e ameaçou ser "inclemente" caso sofra uma agressão por parte da Coreia do Norte.

A Coreia do Norte já realizou testes nucleares em 2006 e 2009, mas ainda não provou ter uma arma capaz de ser usada em situações de conflito. Neste mês, a imprensa sul-coreana noticiou que o Norte está escavando um túnel para preparar um possível novo teste.

Recentemente, a Coreia do Norte revelou ter um programa de enriquecimento de urânio, além do seu programa de plutônio, o que lhe abriria um novo caminho para a obtenção de material físsil para armas atômicas.

"Há uma possibilidade de a Coreia do Norte realizar seu terceiro teste nuclear para buscar melhorias na sua produção de armas atômicas, para manter a tensão militar elevada e para promover o status de Kim Jong-un como próximo líder", disse o relatório, referindo-se ao filho caçula e herdeiro presuntivo do atual líder comunista do país, Kim Jong-il.

"A tensão entre as duas Coreias continuará elevada, com as chances de ataques norte-coreanos contra o Sul permanecendo altas", disse o Instituto de Assuntos Estrangeiros e Segurança Nacional, ligado à chancelaria de Seul.

A tensão na península coreana atingiu novos níveis depois que, no mês passado, a Coreia do Norte bombardeou uma ilha sul-coreana, matando quatro pessoas, inclusive dois civis, nos incidentes mais graves desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.

A KCNA, agência estatal de notícias da Coreia do Norte, que ameaça regularmente a destruição da Coreia do Sul, na sexta-feira pôs a culpa nos EUA e disse que os sul-coreanos são as "brigadas de choque" de Washington.

"Os EUA são inteiramente culpados pelos alarmantes fatos na península neste ano, já que usou a península para realizar sua estratégia de dominar o Leste da Ásia", disse a KCNA.

Analistas dizem que as atuais tensões causaram um retrocesso de pelo menos uma década nas relações intercoreanas.

"No Sul, a impaciência com Pyongyang está crescendo, e há exigências da direita em Seul por termos mais robustos de envolvimento militar no caso de futuros confrontos". disse Daniel Pinkston, da consultoria International Crisis Group.

Mas o risco de uma guerra total é considerado baixo, já que as ameaças do Norte são vistas como mera retórica para conseguir maior margem de barganha em eventuais negociações que levem ao seu desarmamento.

Tudo o que sabemos sobre:
NORCOREIATESTESUL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.