Teste tem ajudado no combate à infecção generalizada

A infecção generalizada - sepse, no jargão médico - causa 400 mil mortes, por ano, no Brasil. Mais da metade dos pacientes que desenvolvem esse tipo de infecção não resiste. Entre os desafios dos médicos, está o de determinar o nível de infecção e evitar doses excessivas de antibiótico. Um teste rápido - o biomarcador de procalcitonina - tem ajudado os profissionais a direcionar o tratamento. Antes restrito à rede particular, o exame passou a ser oferecido a pacientes do SUS em hospitais como A.C. Camargo, em São Paulo, Servidores do Estado e Hospital Central da Aeronáutica, ambos no Rio.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

26 de julho de 2012 | 19h30

A procalcitonina (PCT) é uma substância encontrada em baixas concentrações em pessoas saudáveis. Durante grave infecção bacteriana, o organismo libera essa substância em grande quantidade. O tratamento é feito com antibiótico. "Não existem dados exatos que indiquem por quantos dias deve-se dar o medicamento para o paciente em UTI. No paciente grave, se der antibiótico em quantidade insuficiente, ele não vai se curar totalmente da infecção. Se der muito, há o risco de se criar bactéria resistente a antibiótico, o que no ambiente de UTI pode ser catastrófico", explica o médico intensivista Rodrigo Octavio Deliberato, do Hospital Israelita Albert Einstein, que defende, no fim do ano, tese de doutorado sobre o uso da procalcitonina em pacientes com sepse.

Ao dosar a PCT, o médico consegue avaliar a gravidade da infecção e se o paciente está reagindo ao tratamento. Também pode indicar a necessidade de se trocar o remédio. No trabalho que vai apresentar, Deliberato estudou 80 pacientes. "É seguro usar como guia para suspender o antibiótico sem piorar o desfecho clínico, com possível benefício na questão de redução do custo", avaliou.

Outro teste tem facilitado o diagnóstico rápido do micro-organismo que provocou a infecção, a partir da biologia molecular, o Septifast. O exame faz a detecção do DNA de bactérias e fungos e dá o resultado em até seis horas - a hemocultura (exame no sangue para isolar e identificar os microorganismos) pode levar de 24 horas a 72 horas. Hoje, somente o Eisntein, em São Paulo, Laboratório Richet, no Rio, e Hospital Regional (MS) oferecem o exame.

"A cada hora que o paciente não é tratado, ou é tratado de forma errada, aumenta em 8% o índice de mortalidade. Esse teste detecta o material genético de 25 bactérias e fungos, que respondem por 90% dos casos de sepse", afirma o patologista Hélio Magarinos Torres Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e diretor médico do Richet.

Ao contrário de outras doenças, a sepse não tem sintomas específicos. "A principal ferramenta para o tratamento é o médico e a equipe multiprofissional pensarem nos sinais de alerta: febre, alteração no estado de consciência e frequência cardíaca e respiratória altas", afirma Reinaldo Salomão, presidente do Instituto Latino Americano para Estudo da Sepse (Ilas) e professor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

Estudo do Ilas aponta que pacientes do pronto socorro são mais diagnosticados com sepse do que os internados na UTI. "O pronto socorro é porta de entrada do hospital. Muitas vezes o paciente desenvolveu a sepse em casa. É importante ficar atento a alterações do paciente. Pessoas idosas podem ficar mais confusas, ou mais sonolentas. A família acha que o avô está mais sossegado e demora para perceber que é um sintoma grave de disfunção orgânica", alerta.

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