Testemunha acusa Bruno de ameaçá-lo de morte

O detento Jaílson Alves de Oliveira afirmou nesta terça-feira que na semana passada foi ameaçado de morte pelo goleiro Bruno Fernandes. Jaílson, que está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde também o jogador está detido desde julho de 2010, chegou a questionar o atleta durante o julgamento pelo assassinato de Elisa Samudio. "Ameaçou ou não ameaçou? Fala agora", disse Jaílson para o goleiro. "Nem te conheço, parceiro", retrucou Bruno.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

20 de novembro de 2012 | 18h05

O detento foi arrolado como testemunha de acusação no julgamento porque já havia denunciado, por meio de seu advogado, que ouviu o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, confessar que matou Elisa e que jogou as cinzas da vítima em uma lagoa no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Jaílson já havia denunciado um suposto plano de Bola - cujo processo foi desmembrado do de Bruno após seus advogados abandonarem o plenário do Tribunal do Júri nesta segunda-feira - para matar cinco envolvidos no caso. As vítimas seriam a juíza Marixa Fabiane Lopes, o delegado Edson Moreira, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, deputado estadual Durval Ângelo (PT), e os advogados José Arteiro Cavalcanti, assistente da acusação, e Ércio Quaresma, que chegou a defender Bruno e, já como defensor de Bola, liderou o abandono do plenário.

Jaílson também denunciou que Bruno teria armado um plano com a participação do traficante Francisco Lopes Bonfim, o Nem da Rocinha, para matar Marixa. As denúncias foram investigadas pela Polícia Civil mineira, que não encontrou nenhuma evidência do suposto plano.

Durante o julgamento na tarde desta terça-feira, o preso reafirmou as denúncias e centrou ataques também em Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito do goleiro que também está sendo processado pelo sequestro, cárcere privado, assassinato e ocultação de cadáver de Elisa.

Em depoimento prestado à polícia e confirmado no plenário do Tribunal do Júri, Jaílson afirmou que Bruno financiava e Macarrão, junto com o motorista Clayton Gonçalves da Silva, controlava o tráfico de drogas no bairro Liberdade. Disse também que o goleiro seria o mandante dos assassinatos de pessoas ligadas ao caso de Elisa, hipótese descartada pela polícia em pelo menos dois crimes já esclarecidos.

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