Testemunha diz que polícia colocou armas em celas

O julgamento do massacre do Carandiru foi retomado no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, após pausa para o almoço. Na primeira manhã de julgamento, uma testemunha de acusação foi ouvida, o ex-detento Antonio Carlos Dias. Na retomada do intervalo nesta segunda-feira, a segunda testemunha de acusação a ser ouvida é Marco Antônio de Moura, também detento do presídio à época.

AE, Agência Estado

15 de abril de 2013 | 16h09

Dias afirmou em seu depoimento que os policiais militares "plantaram" armas nas celas do presídio para justificar a ação que resultou na morte de diversos detentos. A testemunha disse ter visto mais de 100 mortos apenas no segundo pavimento do Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, no dia 2 de outubro de 1992. O número oficial é de 111 mortes em todo o episódio. Segundo ele, os presos tinham de "escalar" a pilha de mortos para alcançar o pátio do presídio. O depoimento durou cerca de duas horas.

Às 14h50 o julgamento foi retomado com o depoimento do ex-detento Marco Antônio de Moura. Ele é a segunda testemunha de acusação a ser ouvida. "Vou apanhar demais", afirmou Moura sobre sua reação quando os policias militares entraram na Casa de Detenção. Ele relata que, após levar um tiro no pé, fingiu-se de morto em sua cela. Arrastando-se, dirigiu-se à escada, onde um policial estava matando a marretadas. "Ele contava 1, 2 e no 3 dava uma marretada. Esse cara matou muita gente no poço do elevador. Eles também faziam os cachorros morderem a gente".

Ainda segundo a testemunha, ao chegar no pátio, os detentos tiveram de ficar muitas horas sentados. Segundo ele, os policiais pediram que os feridos levantassem a mão. "Graças a Deus não levantei. Quem levantava foi levado e nunca mais visto."

Moura disse que os presos fizeram uma barricada dentro do presídio: portas foram arrancadas e óleo foi jogado no chão para dificultar a passagem da polícia. Alguns dos presos teriam subido ao telhado para escapar dos PMs. Questionado se ouvia os PMs falarem algo ao entrar no Pavilhão, Moura afirmou que eles gritavam: "Deus cria, a Rota mata e viva o Choque".

Nesta primeira etapa do julgamento do Carandiru, 26 policiais militares sentam no banco dos réus, acusados de matarem 15 detentos no segundo pavimento do Pavilhão 9 do Carandiru. Compareceram ao fórum 24 PMs - outros dois estariam com problemas de saúde.

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