Tetraplégico mexe braço robótico com a mente

Chip implantado no cérebro de americano paralisado há sete anos transmitiu sinais elétricos dos neurônios a uma prótese de US$ 100 milhões

PITTSBURGH, ESTADOS UNIDOS, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2011 | 03h02

 

Um homem tetraplégico mexeu um braço biônico usando o pensamento. É mais um capítulo na busca por próteses controladas pelo cérebro, que dariam mais independência a pessoas com paralisia.

O experimento, conduzido pelo período de um mês na Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, permitiu a Tim Hemmes, paralisado após um acidente de motocicleta, há sete anos, voltar a tocar a mão de sua namorada.

"Não era o meu braço, mas era o meu cérebro, os meus pensamentos. Eu estava movendo algo", afirmou o americano, emocionado após o feito inédito.

Eletrodos de chips implantados no cérebro de Hemmes captaram sinais elétricos dos neurônios que controlam os movimentos e os transmitiram ao braço robótico, desviando-se da medula espinhal fraturada.

Demorará anos até que essa tecnologia esteja no mercado, mas várias equipes de cientistas estão experimentando diferentes métodos de devolver o movimento a pessoas com paralisia.

Recentemente, um time da Universidade Duke, na Carolina do Norte, liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, não apenas conseguiu que macacos movessem braços virtuais com o pensamento, como permitiu que eles sentissem a textura do que "tocavam".

A prótese que Hemmes movimentou foi desenvolvida pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, para a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa, em inglês), do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que aplicou US$ 100 milhões no projeto.

Pelos próximos dois anos, a Universidade de Pittsburgh ajudará a Darpa ao treinar alguns voluntários tetraplégicos para que operem o braço biônico de maneiras cada vez mais sofisticadas. Um dos próximos passos dessa pesquisa é experimentar com sensores implantados nas pontas dos dedos robóticos, para permitir que os voluntários sintam o que tocarem. / AP

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