'Texto será discutido até o último minuto'

Impasse entre ricos e pobres prolongará debate, diz secretário da ONU para Rio+20

Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h04

RIO - Os três dias reservados para a última rodada de negociação do documento da Rio+20 antes da reunião de cúpula dos chefes de Estado não deverão ser suficientes para se chegar a um consenso satisfatório, reconheceu ontem o secretário-geral da ONU para a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, Sha Zukang.

Em entrevista no Palácio da Cidade ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), o diplomata chinês disse que está otimista em relação a resultados, mas advertiu que o impasse entre países com níveis diferentes de desenvolvimento tende a levar a discussão "até o último minuto".

A reunião de negociadores está marcada para começar amanhã e terminar na sexta-feira. Em seguida, serão realizados no Riocentro os chamados Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, antes da reunião de cúpula dos chefes de Estado e de governo, nos dias 20, 21 e 22.

Apesar da dificuldade para se chegar a um consenso, porque os países "têm prioridades diferentes", Sha afirmou acreditar que a Rio+20 terá "um impacto ainda maior que a Eco-92 para a vida e o futuro das pessoas e a saúde do planeta".

Sobre a ausência de lideranças como Angela Merkel, Barack Obama e David Cameron, o chinês foi diplomático: "É uma questão soberana de cada país. Não posso dizer se é bom ou ruim, mas Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha estarão muito bem representados, em alto nível". Ele disse compreender ausências por motivos como a crise europeia e as eleições nos EUA, mas afirmou acreditar em mudanças de última hora.

Lembrando que a Eco-92 teve a participação de 108 chefes de Estado, Sha disse que representantes de 134 países já estão inscritos para discursos na Rio+20. "Será uma das mais importantes conferências da história das Nações Unidas. Estamos otimistas. Sob a presidência do Brasil, vamos chegar a um bom resultado", afirmou.

Diferenças. O secretário-geral destacou a questão das divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre princípios acordados desde a Eco-92. Entre eles, o das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas", para se chegar ao desenvolvimento sustentável. "Nosso trabalho não é mudar esses princípios nem criar outros ou apagar os já acordados."

Sha ressaltou que a principal tarefa é criar as bases para que o desenvolvimento dos países seja, de fato, sustentável. "Vimos nos últimos anos algum crescimento econômico, mas nem tanto avanço em desenvolvimento social e proteção ambiental. Na verdade, regredimos em muitos casos. Portanto, os princípios de 92 continuam igualmente válidos, se não forem mais válidos ainda."

O prefeito do Rio reconheceu que há preocupação em relação ao trânsito, principalmente no corredor da Barra da Tijuca (zona oeste) à zona sul. "Vai gerar desconforto, é bom evitar esse corredor (durante a Rio+20), mas o carioca está orgulhoso de receber uma conferência desse porte", disse Paes. "Com tantas pessoas tendo de se locomover, haverá alguns problemas. É inevitável. Espero que todos sejam compreensivos com os organizadores", disse Sha.

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