Thales será julgado por órgão especial do TJ na quarta

Promotor matou um jovem e feriu outro e foi exonerado pelo CNMP, mas Supremo reverteu a decisão do órgão

21 Novembro 2008 | 08h25

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo deverá julgar na próxima quarta-feira, 26, a ação penal existente contra o promotor Thales Ferri Schoeld, segundo a edição do Diário da Justiça de quarta-feira, 19. Schoeld é acusado de matar a tiros o estudante Diego Mendes Modanez, que tinha 20 anos, e de ferir Felipe Siqueira Cunha de Souza, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, na madrugada de 30 de dezembro de 2004.   Veja também: Entenda o caso do promotor Thales Schoedl  Todas as notícias sobre o caso       Schoeld, que à época tinha 26 anos e era promotor de Justiça substituto em Iguape, alegou ter sido acuado por um grupo de rapazes que o ameaçavam e que teriam mexido com sua namorada. Ele afirmou ter disparado dois tiros de advertência com sua pistola semi-automática calibre 380 e, vendo que os agressores ainda avançavam, teria fechado os olhos e disparado cerca de dez tiros, dos quais quatro atingiram Felipe e dois, Diego. Uma testemunha afirmou que Schoeld teria provocado os rapazes com o questionamento: "O que vocês estão olhando?". Outras disseram que o promotor tentou escapar correndo, mas foi perseguido pelo grupo. Promotores são autorizados por lei a andarem armados, e Schoeld tinha porte de arma.   Desde o crime, Schoedl foi exonerado e reintegrado ao cargo de promotor por quatro vezes. A última exoneração foi no final de agosto passado, o que causou adiamento do julgamento por o promotor ter perdido o direito a foro especial. Com a reintegração, no início de outubro, por meio de uma liminar concedida pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), Schoedl voltou a receber salário de R$ 18.009,75 (mesmo sem trabalhar, por ter o exercício das funções suspenso) e a ter direito a foro privilegiado.   A vitaliciedade de Schoedl no cargo é importante na medida em que determina onde ele será julgado. Mantido nas funções, o destino do promotor será decidido pelos 25 desembargadores do Órgão Especial do TJ, que já sinalizaram, no ato do recebimento da denúncia, concordar com a tese de que ele agiu em legítima defesa. Caso deixasse de ser um integrante do Ministério Público, responderia pelo crime no Tribunal do Júri de Bertioga e ficaria sujeito a uma decisão mais dura.   O MP paulista, após várias idas e vindas, terminou por vitaliciá-lo no cargo no ano passado. Essa decisão, no entanto, não foi reconhecida como válida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). "O conselho entendeu que, antes de completar os dois anos de estágio probatório na carreira, ele saiu de licença e, logo, não poderia ser vitaliciado", afirmou, no mês passado, a Assessoria de Imprensa do órgão.

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