Timidez pode aumentar risco de problema cardíaco

Pesquisa da Universidade Northwestern de Chicago durou 30 anos

BBC

12 Julho 2007 | 08h48

Uma pesquisa americana sugere que ser uma pessoa extrovertida pode reduzir as chances de ter um problema cardíaco ou derrame. A pesquisa da Universidade Northwestern de Chicago durou 30 anos e sugere que homens tímidos ou anti-sociais têm uma probabilidade 50% maior de morrer devido a estes problemas se comparados com homens extrovertidos. O estudo, publicado na revista Annals of Epidemiology, dá apoio a outros trabalhos que sugerem uma ligação entre personalidade e saúde. Os pesquisadores analisaram a saúde de mais de 2 mil homens de meia-idade durante três décadas, até que 60% dos estudados morreram. Atestado de óbito Os atestados de óbito combinavam com os questionários psicológicos preenchidos no início do estudo para revelar o tipo de personalidade de cada homem. Quando outras informações a respeito do estilo de vida dos homens foram analisadas, nenhuma ligação entre outros fatores de risco conhecidos - como fumo, bebida ou obesidade - foi revelada. Este fato aparentemente descartou a teoria de que homens tímidos ou anti-sociais poderiam ter morrido devido a comportamentos pouco saudáveis. Os pesquisadores sugeriram que ou os homens tímidos são mais estressados por situações novas, ou que o padrão de seu tipo de personalidade é, de alguma forma, ligado à parte do cérebro que controla a operação mais estável do coração. Personalidade Décadas de pesquisa sugerem que existe apenas um tipo de personalidade que não está ligado a um aumento do risco de doenças graves. Pessoas mais tranqüilas - as chamadas personalidades tipo "B" - parecem ser as mais saudáveis. As personalidades do tipo "A" - viciados em trabalho, com tendências ao estresse ou à raiva - têm mais probabilidade de sofrer de pressão alta e doenças cardíacas. As pessoas com personalidade do tipo "C", que reprimem seus sentimentos, foram ligadas ao aumento do risco de câncer. Outras pesquisas ligaram pessoas do tipo "D", pessimistas com pouca autoconfiança, com ataques cardíacos ou derrames. Eric Brunner, epidemiologista do University College de Londres, disse que trabalhos semelhantes feitos por ele e seus colegas sugeriram uma ligação entre status social e pouca saúde. Para Brunner, a pesquisa americana é interessante. Segundo ele, é possível que o sentimento de inferioridade social - que pode contribuir com a timidez - possa introduzir mudanças no comportamento e no estilo de vida, ou mesmo desequilibrar os hormônios. "O que não devemos dizer às pessoas é que se elas são tímidas, podem morrer de um ataque cardíaco", disse.

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