Tiroteio causa tumulto em bairro nobre de SP

Dois motoqueiros tentaram roubar uma mulher que tinha acabado de sacar R$ 3 mil em um banco

José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde,

28 Novembro 2008 | 08h49

Uma tentativa de assalto que terminou em tiroteio provocou tumulto, no início da tarde da quinta-feira, 27, na esquina da Rua Pamplona com a Alameda Franca, nos Jardins, na zona sul. Dois motoqueiros tentaram roubar a bolsa da secretária Patrícia de Almeida Ribeiro, de 34 anos, que havia acabado de sacar R$ 3 mil em uma agência bancária. Na ação, um homem armado, possivelmente um segurança, começou a trocar tiros com os criminosos. A vítima ficou no meio do fogo cruzado. Mas ninguém se feriu.   Houve corre-corre. Os assaltantes saíram a pé, abandonando as motocicletas. Depois, roubaram duas motos na fuga. Ninguém foi preso. Nem o homem que trocou o tiro com os bandidos foi identificado. Segundo a polícia, um dos bandidos teria ficado ferido porque havia marcas de sangue em uma das motocicletas utilizadas na fuga.   Eram 12h40 quando a secretária, que trabalha em uma empresa de recursos humanos, foi à agência do Bradesco na Rua Pamplona. Ela sacou o dinheiro para fazer um depósito no Itaú, na mesma rua. A vítima contou que não percebeu que estava sendo seguida quando parou na Alameda Franca para aguardar o semáforo abrir. Nessa hora, passaram os motoqueiros em duas Honda CG 150 Titan. Eles estacionaram as motocicletas ao lado de Patrícia.   Um dos criminosos se aproximou e puxou a bolsa da secretária, mas não conseguiu pegá-la. Na segunda tentativa, ele sacou um revólver - que seria um calibre 22 - e encostou no pescoço de Patrícia. O comparsa ficou próximo, dando cobertura. "Aí, eu soltei a bolsa para ele pegar. Nessa hora, percebi alguém chegando por trás de mim. Foi quando o bandido tirou a arma do meu pescoço e atirou. Pensei: ‘Agora morri’", disse ela.   Mas o criminoso atirou para tentar acertar o homem que estava atrás da vítima empunhando uma revólver. Ele reagiu e começou o tiroteio. "Fiquei paralisada, esperando a melhor hora para sair dali. Assim que deu, abaixei para pegar a minha bolsa, que estava no chão, e corri", disse Patrícia.   Houve um tumulto porque era hora de almoço e havia muito movimento na rua. Pessoas correram para se abrigar em lojas e bares. "Foi tudo muito rápido. Ouvi os tiros e a correria. Devagar procurei me afastar da confusão e entrei em um bar", disse um comerciante - que pediu para não ser identificado.   A dupla fugiu a pé. E poucos metros à frente, os criminosos roubaram a motocicleta Suzuki Burgman do juiz Antonio Mansur Filho, de 38 anos. Os assaltantes subiram na moto e continuaram a fuga. Na Rua Batatais, eles abandonaram a moto com manchas de sangue. E esperaram o primeiro motoqueiro passar.   Pista dos criminosos   A vítima desta fez foi o motoboy Cícero Cleberson de Carvalho, de 23 anos. Ele foi dominado e obrigado a entregar a sua Honda CG 125. Os bandidos subiram na moto e continuaram a fuga por uma das travessas da Pamplona.   A Polícia Militar foi chamada. Os policiais vasculharam a região e não encontraram os bandidos. Eles também saíram atrás do homem que teria trocado tiros com os bandidos, sem sucesso. Primeiro encontraram Patrícia, que buscou refúgio em uma academia de ginástica. Depois, localizaram os proprietários das motos roubadas. "Entrei na academia e pensei que fosse desmaiar. Uma funcionária me deu um copo de água", disse a vítima.   O caso foi encaminhado para o 78º Distrito Policial, nos Jardins. A polícia apreendeu as duas motos usadas pelos bandidos no assalto, que foram abandonadas na Alameda Franca. Elas são a principal pista da investigação.   "Estamos investigando quem são os proprietários das motocicletas, que até a hora do crime não tinham queixa de roubo", disse o delegado-titular José Roberto Pedroso.

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