Tiroteio em cidade ucraniana deixa ao menos três mortos

No dia em que o papa Francisco pede paz na região, ataque em posto de controle pró-Rússia faz governos russo e ucraniano trocarem acusações

Atualizada às 11h55, Reuters e AP

20 Abril 2014 | 10h55

Pelo menos três pessoas morreram em um tiroteio ocorrido na manhã deste domingo, 20, em um posto de controle perto da cidade ucraniana Slaviansk, controlada por separatistas pró-Rússia, de acordo com agências de notícias. Os governos russo e ucraniano trocam acusações sobre a autoria das mortes.

Nesse domingo, ao celebrar o Domingo da Páscoa, o papa Francisco chegou a mencionar as tensões entre os países. "Nós pedimos que o Senhor ilumine e inspire as iniciativas que promovem a paz na Ucrânia, de modo que todos os envolvidos, com o apoio da comunidade internacional, façam esforços para prevenir a violência", disse o pontífice.

Depois das mortes, a Rússia questionou se o governo ucraniano, apoiado pelo Ocidente, estava cumprindo o acordo, mediado na semana passada em Genebra para por fim a uma crise que fez com que os laços da Rússia com países do Ocidente.

Os separatistas disseram que foram atacados por atiradores do grupo nacionalista da Ucrânia "Setor Direita", que negou qualquer envolvimento, dizendo que as forças especiais russas estavam por trás do conflito.

Em Kiev, o Ministério do Interior disse que uma pessoa foi morta e três ficaram feridas em um confronto armado. Já o canal de televisão estatal russo afirma que cinco pessoas morreram, entre elas três atividas pró-Rússia. A pasta afirmou que a polícia estava tentando obter mais detalhes sobre o que aconteceu.

Foram as primeiras mortes em confrontos armados no leste da Ucrânia desde que o acordo de Genebra foi assinado. A intenção, assinada por diplomatas da União Europeia, Rússia, Ucrânia e EUA, determina a retirada de grupos armados ilegais.

Até agora, os militantes pró-Rússia não deram nenhum sinal que pretendem sair de onde estão, embora houvesse alguma esperança de progresso, depois que Kiev disse que não ia agir contra os separatistas durante a Páscoa, e mediadores internacionais se dirigiram ao leste da Ucrânia para tentar convencê-los a se desarmar.

"A trégua da Páscoa foi violada", disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado. "Essa provocação... demonstra a falta de vontade por parte das autoridades de Kiev de controlar e desarmar os nacionalistas e extremistas."

O porta-voz do Setor Direita, Artem Skoropadsky, disse que isso era uma "blasfêmia e uma provocação da Rússia: blasfêmia porque aconteceu durante uma noite sagrada para os cristãos, na noite de Páscoa. Isso foi claramente realizado pelas forças especiais russas."

Milicianos separatistas perto da cidade ucraniana oriental de Slaviansk disseram à Reuters que um comboio de quatro veículos se aproximou do seu posto de controle por volta das 2h da madrugada e abriu fogo.

"Tivemos três mortos e quatro feridos", disse à Reuters um dos combatentes separatistas, chamado Vladimir, no posto de controle onde havia dois jipes incendiados.

Ele contou que os separatistas responderam com tiros e mataram dois dos agressores, que, segundo disse, eram membros do movimento nacionalista que tem sua base de poder no oeste do país, onde se fala predominantemente ucraniano e uma área desprezada por muitos do leste, de língua russa.

Um cinegrafista da Reuters no local disse que viu os corpos de duas pessoas colocados na traseira de um caminhão, um deles com ferimentos provavelmente provocados por tiros no rosto e na cabeça.

Um dos mortos estava usando uniforme militar camuflado, o outro, identificado por diversos curiosos presentes, seria um homem local, com roupas civis. 

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