Tiroteios silenciam em grande parte com início de cessar-fogo no leste da Ucrânia

As armas foram silenciadas abruptamente à meia-noite em grande parte do leste da Ucrânia, conforme previa um acordo de cessar-fogo, emboras tiros periódicos perto de um entroncamento ferroviário mostravam que a trégua era frágil.

REUTERS

15 Fevereiro 2015 | 09h05

Jornalistas da Reuters em Donetsk, o principal reduto rebelde, disseram que o bombardeio de artilharia parou à meia-noite e que não ouviram nenhum disparo durante a noite, após intensas horas finais antes do cessar-fogo, quando explosões ocorriam a cada poucos segundos.

Uma única explosão pôde ser ouvida na parte da manhã em um bairro periférico.

Um fotógrafo da Reuters em território controlado pelo governo também disse que o constante bombardeio havia parado durante a noite, embora tenha ouvido uma salva de artilharia em torno das 7 horas na direção do Debaltseve, uma cidade estratégica como hub ferroviário onde as forças ucranianas tinham praticamente sido cercadas por rebeldes que avançavam.

O governo ucraniano disse no domingo de manhã que o cessar-fogo estava sendo "observado". Suas forças tinham sido atacadas 10 vezes desde que a trégua entrou em vigor, mas descrevia esses incidentes como "localizados", em vez de regulares. Nenhum de seus soldados foram mortos nas últimas 24 horas.

"Ontem e anteontem foram intensos, eles estavam atirando daqui e de lá. Mas hoje está tranquilo e calmo. Tudo está bem", disse o morador Donetsk Rodion Biralyan, 50 anos.

Um oficial ucraniano próximos de Debaltseve disse: "O nível geral (de ataques) diminuiu, embora haja violações."

Washington acusou Moscou de enviar tropas nos últimos dias antes do cessar-fogo para ajudar os rebeldes pró-russos a marcarem ganhos territoriais antes da trégua entrar em vigor.

No entanto, o cessar-fogo restaurou alguma aparência de calma pela primeira vez desde que os rebeldes pró-Rússia rejeitaram o cessar-fogo anterior no mês passado e lançaram um avanço que tinha alarmado países ocidentais.

O presidente da Ucrânia Petro Poroshenko, vestindo o uniforme da forças armadas de comandante supremo, disse em uma mensagem televisionada à meia-noite na capital Kiev que ordenou tropas a pararem de disparar, cumprindo a trégua.

O cessar-fogo, negociado em conversações entre quatro potências na quinta-feira, prevê a criação de uma zona neutra e a retirada das armas pesadas. Mais de 5.000 pessoas foram mortas no conflito que causou a pior crise nas relações Rússia-Ocidente desde a Guerra Fria.

O presidente russo, Vladimir Putin, nega que Moscou esteja envolvido na luta por território que ele chama de "Nova Rússia". Autoridades ocidentais citam esmagadora evidência em contrário e Washington e seus aliados impuseram sanção econômica em Moscou.

(Por Anton Zverev e Gleb Garanich)

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