Toda uma vida em versos

Pela poesia, Sue Nishida expressou suas alegrias, tristezas, dores e saudades

Lenita Outsuka,

18 de maio de 2008 | 02h57

Sue Nishida tinha apenas 19 anos quando desembarcou no Brasil, em dezembro de 1929. Já casada com Takanori, ela teria aqui o primeiro filho - uma menina. Mas a mudança de vida não a assustou: tinha aprendido bem cedo a se adaptar às mudanças. Havia perdido a mãe aos 12 anos e morara na Coréia e na Mandchúria. Leia mais: O mundo mágico dos haicaisEla só exigia uma coisa do marido: que pudesse continuar a estudar, mantendo as convicções do pai, e a se dedicar à poesia. Infelizmente, não seguiu os estudos como gostaria. Mas, logo nos primeiros anos de Brasil, se aperfeiçoou nos versos. Fazia tanka e expressava, pela poesia, suas alegrias, tristezas, dores e saudades.Depois de trabalharem no campo, Sue e Takanori abriram uma quitanda em São Roque - eles já tinham cinco filhos nessa época. Viraram "dona Maria" e "seu João". Com a prosperidade, Sue pôde se dedicar mais à poesia. Logo, ela e Takanori começaram a participar de saraus. O nome de Sue Nishida foi ficando conhecido e ela passou a receber convites para colaborar com revistas e jornais da colônia.A vida seguiu tranqüila até que, em 1976, Takanori sofreu um derrame e o casal teve de se mudar para a Capital. Por sete anos, Takanori ficou na cama - mesmo tendo de cuidar do marido, Sue não parou de escrever poesias. A morte do companheiro, em 1983, não a abateu. Determinada e independente, ela passou a se dedicar ao estudo de português e começou a traduzir para o japonês clássicos brasileiros. Quando trabalhava em Mar Morto, de Jorge Amado, sofreu o acidente vascular cerebral que a impossibilitou de trabalhar."Ela foi uma mulher culta e importante, mas modesta", conta Hosanna Makiko, filha de Sue Nishida. "Morreu em maio do ano passado, dois dias depois de comemorar o Dia das Mães ao lado dos filhos, dos netos e dos bisnetos, cantando Haru ga Kita."   

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