Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

'Tomara que o papa seja que nem o Messi'

Brasileiros brincam com a rivalidade com o país vizinho como se estivessem falando de futebol

Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo,

13 de março de 2013 | 21h41

Da escadaria da Sé, diante da Catedral, no centro de São Paulo, um morador de rua gritava agora à tarde: "Tomara que o papa seja que nem o Messi", referindo-se à escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio para papa, desbancando o brasileiro d. Odilo Scherer, apontado até então como favorito.

A brincadeira com a rivalidade com o país vizinho, explícita no futebol, não deixa de fora nem os religiosos. O padre Tarcisio Mesquita, da paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, zona leste de São Paulo, disse que recebeu mensagens de frequentadores da igreja dizendo que "a sensação era de perder uma final de Copa do Mundo". "Recebemos a notícia com surpresa, não o conhecia e o nome de d. Odilo vinha sendo falado com grande destaque", disse ele.

Demonstração de que um papa brasileiro era mais do que sonho tupiniquim, padre Tarcisio, também coordenador de pastoral da Arquidiocese, estava na praça da Sé para ume entrevista para a TV Al Jazeera. "A expectativa era grande, apesar de sabermos que um papa não é escolhido por torcida organizada. Espero que Bergoglio seja um bom papa, escolheu um nome bonito." É o papa Francisco.

Também visitando a Sé, o estudante e coroinha Lucas Ramos de Souza, de 17 anos, ressaltou que na sua opinião não importa a nacionalidade do papa. "Eu estava realmente esperando que d. Odilo fosse papa, eu gostaria. Mas não tem problema, o importante é que o papa tenha capacidade de guiar a Igreja", disse ele, que frequenta a Igreja Matriz de Franco da Rocha, grande São Paulo. "Só fico preocupado agora com a força dele na torcida pela seleção argentina", brinca.

Na porta da catedral, o casal Ana e Wilson Bergara, ambos de 29 anos, nem sabiam que o dia era histórico para Igreja católica, religião dos dois. "Nem sabia que o papa seria escolhido hoje", disse Wilson, vigilante, enquanto tirava fotos com a mulher na entrada do principal tempo católico da cidade. Ao ser informado que o Scherer fora preterido por um argentino, a análise foi equilibrada: "Independentemente da nacionalidade, esperamos que seja um bom papa e consiga evoluir nas questões necessárias", diz ele, casado apenas no cartório com Ana. "Estamos avaliando a relização de cerimonia religiosa", completa ela, indicando com dois dedos que a escolha também é financeira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.