Tombini diz que BC mira inflação, não crescimento--jornal

O Banco Central determina a política monetária com base na inflação, não em qualquer meta de crescimento econômico, afirmou o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, em entrevista publicada no site do Wall Street Journal no domingo, em meio a crescentes expectativas de um possível aumento dos juros neste ano.

Reuters

25 de fevereiro de 2013 | 07h51

A inflação em 12 meses acumulou alta de 6,18 por cento em fevereiro de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) divulgados na semana passada, após alta de 0,68 por cento no mês. A desaceleração aquém do previsto do índice reforçou expectativas de alta da Selic nos próximos meses.

"Nossa meta é inflação, então temos que ajustar e calibrar nossas políticas para atingir nossas metas", disse Tombini na entrevista realizada no sábado. "Crescimento não é uma meta para o Banco Central."

Um porta-voz do Banco Central não pôde ser encontrado imediatamente para comentar. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA com margem de mais ou menos dois pontos percentuais.

"A inflação nos últimos meses mostrou mais resiliência do que gostaríamos que mostrasse", disse Tombini. "Estamos observando de perto esses acontecimentos."

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece em 5 e 6 de março. As taxas de DI chegaram a precificar probabilidade superior a 50 por cento para uma alta de 0,25 ponto percentual nesta próxima reunião. Para o encontro de maio, a chance para um acréscimo de 0,50 ponto percentual chegou a 100 por cento.

O Brasil deu início ao ciclo de corte da Selic em agosto de 2011, quando as taxas de juros de dois dígitos afetavam o fluxo de capital aos mercados financeiros do país, elevando o valor do real.

As intervenções do BC no mercado de câmbio desde então deram a muitos investidores a impressão de que o governo estava tentando enfraquecer o real para dar suporte à indústria local, como parte da chamada guerra cambial.

"Não acho que isso seja uma guerra para o Brasil disputar neste momento", disse Tombini na entrevista.

Ele afirmou que o BC trabalha para reduzir a volatilidade no mercado cambial e não espera uma repetição do ano passado, quando o real perdeu quase 10 por cento contra o dólar.

"Não vejo o mercado conduzindo o real dessa maneira", disse ele.

Tombini também descartou a ideia de que o recente fortalecimento do real faz parte de um esforço do governo de combater a inflação ao baratear as importações.

"Nada disso é a realidade", disse ele. "A taxa de câmbio não é um instrumento para combater a inflação ou sustentar o crescimento econômico."

(Por Brad Haynes)

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