Tombini diz que inflação vai começar a recuar em outubro--jornal

A inflação vai começar a recuar em outubro, disse o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em entrevista a um jornal dois dias após dados oficiais terem negado sua previsão anterior de que os preços começariam a cair no mês passado.

REUTERS

09 de outubro de 2011 | 15h48

A inflação brasileira em setembro chegou a 7,31 por cento no acumulado de 12 meses, a maior desde maio de 2005 e bem acima do teto da meta perseguida pelo governo, que é de 6,5 por cento, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na sexta-feira.

Os preços subiram 0,53 por cento de agosto para setembro, pressionados, sobretudo, por transportes e habitação. Tombini tem dito há alguns meses que ele esperava um pico de inflação em agosto, mas economistas estão preocupados que as expectativas do presidente do BC sejam prematuras.

"De jeito nenhum (os preços vão continuar a subir", disse Tombini em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo deste domingo. "Nosso horizonte é dezembro de 2012, mas em outubro a inflação em 12 meses vai começar a recuar em 0,30 ponto."

O Banco Central espera chegar à meta de inflação de 4,5 por cento em dezembro de 2012, segundo Tombini. A margem é de dois pontos para mais ou para menos.

Expectativas de mercado monitoradas pelo BC colocam a inflação em 6,52 por cento no final de 2011, pouco acima do teto da meta.

"Dos países que seguem o sistema de metas de inflação, várias economias estão com inflação acima da banda ou acima da meta", disse Tombini.

Depois que a economia brasileira cresceu 7,5 por cento no ano passado, o BC elevou a taxa básica de juros Selic consistentemente desde o início do ano até 12,5 por cento. Mas, em agosto, o banco surpreendeu o mercado diante do atual clima inflacionário com uma decisão de cortar a Selic em 0,50 ponto, para 12 por cento.

O BC disse que os efeitos da crise de dívida na Europa e a fragilidade da economia dos EUA teriam impacto na demanda do mercado interno brasileiro.

"Desde o início do ano, nosso plano de voo, junto com outras políticas, era moderar o crescimento da economia brasileira", disse Tombini.

"Há sinais cada vez mais nítidos de que essa moderação veio. Mas dissemos também que a política monetária atua com defasagem e que, no segundo semestre, a ação dessas políticas seria mais fortemente sentida."

Tombini disse que as sondagens diárias feitas pelo BC mostram que a inflação mês a mês será em torno de 0,3 a 0,4 por cento em outubro, bem abaixo do 0,75 por cento em outubro de 2010 e abaixo de setembro de 2011.

A tendência de queda se manteria até o fim do ano, segundo Tombini.

(Reportagem de Reese Ewing)

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