Tombini sinaliza que queda de juros será mantida--jornal

A redução nas taxas de juros no país deve ser mantida, um processo que no futuro tem de ser feito com "parcimônia e cuidado", afirmou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em entrevista publicada neste domingo. Tombini disse ainda que o país está preparado para enfrentar as turbulências externas.

REUTERS

20 Maio 2012 | 15h34

"Recentemente demos uma direção. Essa direção permanece válida em relação ao futuro da política monetária. Ao mesmo tempo, também indicamos que esse processo já tem acumulação de reduções de juros que vem desde o fim de agosto", afirmou Tombini em entrevista publicada pelo jornal O Globo.

"Esse processo no futuro tem de ser feito com parcimônia e cuidado. Isso está válido no momento", acrescentou, ao ser questionado se os juros seguirão caindo.

O BC cortou a taxa de juros básica Selic em 350 pontos-base desde agosto e deu a entender que poderia reduzir a taxa a mínimas históricas. A taxa está atualmente em 9 por cento, apenas 25 pontos-base acima da mínima recorde. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) será no fim do mês.

Tombini descartou, mais uma vez, que o banco esteja seguindo orientação do governo para estimular o crescimento com corte de juros. "O motivo é a economia estar crescendo abaixo do potencial há alguns trimestres. Não é por outro motivo pelo qual o Banco Central está baixando os juros", disse.

Ao contrário do que previa o governo, a atividade econômica brasileira entrou 2012 desacelerando. Na sexta-feira, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou que a economia desacelerou no primeiro trimestre deste ano.

Sobre os riscos de inflação, o presidente do BC disse que nos próximos três meses a inflação será menor que a de abril. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) subiu 0,64 por cento em abril, acima do esperado pelo mercado financeiro e atingindo a maior elevação mensal desde abril de 2011.

"Abril tem alguns fatores pontuais fortes que não vão se repetir. Nos próximos três meses, a inflação será menor que a de abril."

Tombini disse ainda que o banco segue buscando o centro da meta da inflação neste ano. Segundo ele, as projeções indicam uma "convergência adicional" até o fim do ano, em direção ao centro da meta.

Sobre a alta do dólar, Tombini disse que o BC vai seguir intervindo quando for necessário. Após a moeda subir mais de 2 por cento ante o real, o Banco Central decidiu na sexta-feira atuar com um swap cambial tradicional, corrigindo a alta elevada em função de especulações e impulsionada por um cenário externo ainda conturbado. Mesmo assim, a moeda fechou com a maior cotação em cerca de três anos, com alta de 0,62 por cento, cotada a 2,0185 reais na venda.

"O câmbio é flutuante, mas ninguém vai deixar o câmbio sofrer impactos de um volume extraordinário de liquidez que existe no mundo", disse. O presidente do BC reconhece que o momento internacional é desafiador, mas disse que o país tem os instrumentos para agir e está mais bem preparado.

Ainda, em relação ao agravamento na crise na zona do euro, Tombini disse que o Brasil está "muito bem preparado" para enfrentar cenários adversos, melhor do que em 2008.

"O que precisamos no Brasil é estar preparados para um eventual agravamento da situação internacional. Nossa visão agora é que a economia cresce menos, tem liquidez, tem mais volatilidade, sem dúvida, neste momento, mas temos de acompanhar a situação como estamos acompanhando", disse.

"Quaisquer desdobramentos que sejam, temos de pensar nos impactos para o Brasil com tranquilidade. Estamos preparados para agir", disse.

Mais conteúdo sobre:
MACRO TOMBINI ENTREVISTA GLOBO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.