Tiago Queiroz/AE
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Tome uma...

Se abusar, ela repica. Bem tomada, cachaça vira amizade, jura de amor, sol engarrafado. Só se for boa, é claro. Por isso, veja como identificar a pinga de qualidade - bebida bem diferente do péssimo cachaza, que inspirou seu nome

Cíntia Bertolino, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2013 | 02h47

As primeiras mudas de cana-de-açúcar, planta natural do Sudeste Asiático, chegaram ao Brasil em 1531, com a expedição de Martim Afonso de Sousa pelo litoral paulista. O colonizador português fundou a Vila de São Vicente e foi ali que mandou construir os primeiros engenhos de açúcar.

Na bagagem dos portugueses também vieram alambiques de destilação, que logo passaram a ser usados para produzir o ancestral da cachaça, o "vinho da terra", também conhecido como "jeribita", feito com o caldo da cana-de-açúcar. Não há como saber com precisão, mas é muito provável que ali, no litoral paulista, tenham sido destiladas as primeiras cachaças.

Então conhecida como vinho da terra, logo a bebida ganhou nome próprio: cachaça. O batismo vem da palavra espanhola cachaza (vinho inferior) e, vejam só, já nasceu estigmatizada.

De São Vicente, o cultivo e a fabricação chegaram a Paraty e a cidade virou sinônimo de cachaça. "Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí / Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati", já cantava Carmen Miranda sobre o folião de Camisa Listrada, na canção de Assis Valente.

Não demorou nada para a cachaça cair no gosto popular. Antes bebida de índios e escravos, se tornou um importante negócio, prejudicando os lucros da metrópole (parte da cana que antes virava açúcar começou a virar cachaça) a ponto de Portugal resolver proibir, pela primeira vez em 1649, a produção do vinho da terra em todo o País.

A proibição não adiantou. A cachaça continuou sendo produzida e, em 1800, já era até moeda de troca no comércio de escravos. Mas talvez venha daí a expertise na fabricação clandestina que Câmara Cascudo descreveu em História da Alimentação no Brasil. "Alguns trabalhavam durante a noite, madrugada, com a destilação, os alambiques escondidos e disfarçados no mato como princesa encantada".

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