Trabalhadores da Vale Inco ameaçam com greve e pedem negociação

Trabalhadores da mineradora de níquel Sudbury, da Vale Inco, no Canadá, devem recusar o contrato proposto pela companhia e pretendem forçá-la a retornar à mesa de negociações.

REUTERS

11 Julho 2009 | 16h32

As negociações entre a Vale Inco --divisão de mineração e processamento de níquel da brasileira Vale-- e o sindicato não obtiveram êxito nesta semana, já que os dois lados não chegaram a um acordo sobre bônus, pensões e outros assuntos.

O resultado da votação, que começou na sexta-feira, deve ser divulgado na noite de sábado. O comitê de negociações do sindicato recomendou aos seus membros rejeitarem a oferta, iniciativa que resultará em uma greve imediata.

"Nós estamos esperançosos que a grande maioria dos nossos membros na sexta-feira e no sábado recusará este contrato e que isso enviará uma mensagem para a Vale retornar à mesa de negociações", disse Wayne Fraser, membro do comitê de negociações do sindicato, segundo a imprensa canadense.

Trabalhadores que atuam nas operações de níquel e cobre da Voisey's Bay já votaram a favor da greve, que provavelmente começará até o final de julho.

Contudo, greves de ambos os lados devem ter impacto limitado, tendo em vista que a maior parte das operações foi reduzida pela metade até o final de julho devido à fraca demanda por níquel. A crise já obrigou a Vale a demitir quase duas mil pessoas das suas operações no mundo.

Analistas disseram que as greves previstas não devem afetar muito o preço da commodity --metal frequentemente utilizado na fabricação de aço inoxidável--, uma vez que a crise econômica levou a um excesso de oferta nos mercados globais.

"Nós temos estoques (de níquel) estáveis no momento, mas perto dos níveis de alta recorde", afirmou Catherine Virga, analista sênior de metais de base da CPM Group, em Nova York.

"De onde o mercado está agora, eu não acho que necessariamente veremos muita reação de preço imediatamente".

A companhia e o sindicato United Steelworkers Local 6500, que representa cerca de 3.300 trabalhadores nas operações de níquel da Sudbury, concordaram no final de maio em estender o atual contrato em mais de um mês, até 12 de julho, concedendo mais tempo para a definição de um novo acordo.

Membros sindicais na Sudbury também votaram em maio para autorização de uma greve, caso as negociações trabalhistas não tenham êxito.

A Vale assumiu as operações canadenses por meio da aquisição da Inco, em 2006. O presidente-executivo da mineradora brasileira, Roger Agnelli, afirmou recentemente que a Sudbury é a operação mais cara da companhia e que não é sustentável.

(Reportagem de Euan Rocha)

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