Trabalhadores da Vale querem discutir redução de jornada

Os sindicatos ligados à CUT Vale, que representa trabalhadores da Vale, informaram à companhia nesta terça-feira que estão dispostos a discutir a redução da jornada de trabalho se a empresa voltar atrás nas 1.300 demissões realizadas até o momento. "Tendo em vista a política de corte de pessoal adotada pela empresa, propomos medidas para amenizar a angústia que no momento toma conta dos trabalhadores da Vale e suas famílias", afirmou a CUT Vale em comunicado à imprensa. De acordo com o secretário-geral da CUT Vale, Jorge Campos, o primeiro passo dos trabalhadores será tentar o diálogo, atendendo, segundo ele, a uma proposta do próprio presidente da empresa, Roger Agnelli, que em meados de dezembro pediu flexibilização das leis trabalhistas. "Se ele quer flexibilização poderia começar abrindo mão do bônus dele, do salário dele", ironizou Campos. "Nós estamos propondo reduzir nossa jornada de trabalho, mas antes queremos que revejam as demissões." Ele disse que desligamentos ainda estão sendo feitos e poderiam ser suspensos, mas o objetivo principal é cancelar todas as dispensas. "A Vale vai ter melhor lucro este ano do que em 2007, ela não está em tanta dificuldade assim, porque o trabalhador tem que ficar com o prejuízo?", protestou. Se a empresa não se abrir para negociações, informou Campos, o caminho será realizar um protesto maior do que o feito este mês, quando mil bonecos representando os demitidos foram deixados na porta da sede da companhia no Rio de Janeiro. "Só que desta vez irão todas as entidades sindicais protestar na porta da empresa", afirmou. Procurada pela Reuters, a Vale disse que não iria comentar o assunto. (Por Denise Luna)

REUTERS

23 Dezembro 2008 | 19h03

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