Trabalhadores fecham acordos para redução de salários

Trabalhadores de três indústrias da área metalúrgica de São Paulo aprovaram acordos que prevêem redução de jornada de trabalho e de salário com um período de estabilidade no emprego. O objetivo da concessão é tentar manter os empregos no setor em meio à crise financeira. Nesta quinta-feira, os empregados da MWM Motores e da Sabó realizaram assembleias em que aprovaram o esquema negociado entre as empresas e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, filiado à Força Sindical. Na quarta, foi a vez da Valeo. Durante a negociação, as empresas demonstraram sua situação financeira, com queda de produção e de faturamento. "É princípio básico da negociação que a metalúrgica apresente o balancete dos últimos 12 meses. É preciso justificar a redução de jornada e de salários", disse Miguel Torres, presidente do sindicato, que prevê novos acordos nos próximos dias. Na MWM foi acertada a redução de 20 por cento da jornada de trabalho e corte de 17,5 por cento nos salários para 2 mil trabalhadores por 90 dias. Ao final deste prazo, a empresa não poderá efetuar demissões por 45 dias. Na Sabó, o acerto, válido por 90 dias, prevê corte de jornada de 20 por cento, com 12 por cento de redução no salário. A estabilidade, neste caso, é de 90 dias após o período do acerto. Oitocentos trabalhadores da Valeo, fabricante de faróis e lanternas, vão trabalhar 1 dia a menos na semana (20 por cento) com redução de 15 por cento nos salários. A garantia no emprego é de 45 dias. A legislação permite a prática, desde que respeitado o limite de 25 por cento de redução no salário. Também precisa passar por assembleia ou acordo coletivo de trabalho. Segundo Torres, 120 empresas requereram reunião com a direção do sindicato para discutir formas de flexibilizar os contratos de trabalho, todas do setor de autopeças, o mais atingido pela retração econômica. "Fizemos 40, as outras estão agendadas", disse. A base do sindicato abrange 11 mil empresas com 260 mil trabalhadores. O sindicato é favorável às negociações que vinham sendo realizadas entre a Força Sindical e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) exatamente para redução de jornada e de salário, mas sem garantia de emprego. A Força, que havia concordado com o acerto, acabou suspendendo as conversações após reunião com outras centrais. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) não participou da negociação por ser contrária a cortes de salários. A legislação só permite as alterações no contrato em casos específicos de empresas que comprovem problemas financeiros. Não podem ser generalizadas a todo um setor. Desde o final do ano passado, quando a crise atingiu mais fortemente as indústrias, principalmente as do setor automotivo, já houve acordos na Renault, que suspendeu o contrato de mil trabalhadores durante cinco meses. Fiat, Volkswagen e General Motors apelaram para férias coletivas. (Reportagem de Carmen Munari)

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