Trabalhadores voltam à mina na África do Sul após 44 mortes

Pouco mais de um quarto dos trabalhadores já voltaram ao trabalho nesta segunda-feira na mina de platina sul-africana onde 44 homens foram mortos durante confrontos na semana passada, que fizeram lembrar a violência da época do apartheid.

ED STODDARD, Reuters

20 de agosto de 2012 | 09h22

A paralisação dos operários perdeu força porque a empresa Lonmin ameaçou demitir cerca de 3.000 grevistas se eles não encerrassem o movimento.

Uma comissão nomeada pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma, deve chegar à vasta mina Marikana, cerca de 100 quilômetros a noroeste de Johanesburgo, onde 34 mineiros armados com lanças, facões e pistolas foram mortos numa saraivada de disparos da polícia.

Antes disso, dez pessoas já haviam sido mortas, inclusive um representante do Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM, na sigla em inglês), espancado até a morte.

"O comparecimento começou devagar, mas agora já está em 27 por cento. Mas não está claro se os grevistas estão voltando", disse um porta-voz da Lonmin à Reuters. A empresa exigiu que todos voltem ao trabalho ainda na segunda-feira, mas os sindicalistas dizem que não há certeza de que isso acontecerá.

O porta-voz policial Dennis Adriao disse que há grande presença policial visível na área, e que nenhum incidente foi relatado na manhã de segunda-feira.

A greve foi desencadeada por uma disputa por filiações sindicais, envolvendo o NUM e o ascendente Sindicato Associação de Mineradores e da Construção, que acusa o NUM de estar mais preocupado em fazer política e enriquecer seus dirigentes do que em cuidar dos direitos dos mineiros.

Centenas de policiais estão acampados na mina, fazendo patrulhas em pequenos comboios e sobrevoando a área de helicóptero.

Zuma também declarou uma semana de luto nacional em homenagem aos mortos no conflito.

A Lonmin, com sede em Londres e que produz 12 por cento da platina mundial, precisou paralisar a extração de minério na semana passada, mas serviços essenciais, como a ventilação dos túneis, foram mantidos, para permitir uma rápida retomada. A empresa disse que não é possível avaliar quando a platina voltará a sair do subsolo.

A greve levou a platina à sua maior cotação em seis semanas, acima de 1.460 dólares por onça (28,35 gramas).

Conflitos trabalhistas já haviam contribuído para que a Lonmin reduzisse seus planos de investimentos, e a empresa deve descumprir sua meta de produzir 750 mil onças de platina no ano.

(Reportagem adicional de Jon Herskovitz)

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