Trabalho sobre expansão do universo ganha Nobel de Física

Três cientistas vão dividir o Prêmio Nobel de Física de 2011 pela surpreendente descoberta de que o universo está se expandindo cada vez mais rápido e pode um dia congelar, anunciou o comitê do prêmio nesta terça-feira.

REUTERS

04 de outubro de 2011 | 08h28

Os cientistas já sabem desde a década de 1920 que o universo está em expansão, como resultado do Big Bang (explosão primordial ocorrida há cerca de 14 bilhões de anos), mas a descoberta da aceleração desse processo -- enquanto muitos imaginavam o contrário -- sacudiu a comunidade científica.

"Se a expansão continuar a se acelerar, o universo vai acabar em gelo", disse o comitê do Nobel em nota.

Metade do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares) irá para o norte-americano Saul Perlmutter. A outra metade será dividida entre outros dois cientistas dos EUA: Brian Schmidt, que é radicado na Austrália, e Adam Riess.

"Acabamos contando ao mundo que temos esse resultado maluco, que o universo está se acelerando", disse Schmidt em entrevista coletiva telefônica depois do anúncio do prêmio em Estocolmo. "Parecia maluco demais para ser correto, e acho que ficamos um pouco assustados."

O Comitê do Nobel de Física da Real Academia Sueca de Ciências disse em seu comunicado que a descoberta foi feita pela observação de explosões em estrelas distantes. Sua luz, em vez de ficar mais brilhante, se atenuava.

"A surpreendente conclusão foi de que a aceleração do universo não está se desacelerando. Pelo contrário, está se acelerando", disse o comitê.

A aceleração supostamente é provocada pela energia escura, embora os cosmologistas tenham pouca ideia do que isso seja.

Eles estimam que a energia escura -- uma espécie de gravidade às avessas, repelindo a matéria que dela se aproxima -- responde por cerca de três quartos do universo.

(Reportagem de Patrick Lannin, Mia Shanley e Anna Ringstrom em Estocolmo; e Ben Hirschler e Alastair Macdonald em Londres)

Mais conteúdo sobre:
NOBELFISICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.