Tráfico invade Igreja da Penha para vigiar polícia

D. Orani confirmou que criminosos usam a torre para monitorar área da zona norte; arcebispo já informou as autoridades sobre ação do crime

Alfredo Junqueira, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2009 | 00h00

Marco religioso e turístico do Rio, a Igreja Nossa Senhora da Penha, na zona norte da cidade, vem sendo usada por traficantes de drogas de favelas para monitorar a movimentação de policiais na região. A informação foi confirmada ontem pelo arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, durante a procissão da 374ª Festa de Nossa Senhora da Penha, que passou por várias ruas do bairro - muitas delas palco da mais recente guerra travada entre gangues de traficantes e a polícia fluminense, que deixou saldo de 46 mortes.

Erguido sobre um monte rochoso, o santuário é cercado por favelas e tem vista panorâmica de vários bairros da área disputada por criminosos.

"Quando há um problema qualquer, eles (traficantes) usam a torre para olhar quem está chegando", afirmou o arcebispo, que não soube informar, no entanto, se os criminosos entram armados na igreja. "Essas coisas acontecem em tudo quanto é lado. Não só em igrejas, mas também em casas e outros locais. Faz parte dessa guerra urbana. Acho que é uma preocupação de todos nós. A Igreja não está isenta disso."

D. Orani também confirmou que já conversou com autoridades estaduais e municipais sobre a invasão de traficantes. Ele disse que não iria pedir aumento do policiamento no local, por não ser sua atribuição.

"Como cidadão, a gente também tem direito de reclamar e de dizer. Já conversamos sobre isso. Não é novidade nem para o governo do Estado nem para o municipal", afirmou d. Orani.

Entre as favelas que cercam o santuário, estão a Vila Cruzeiro, o Cariri, o Morro da Caixa d"Água e o Morro do Alemão - todas dominadas por traficantes de drogas. Em um dos acessos à igreja, a Avenida Brás de Pina, havia um caveirão (veículo blindado da Polícia Militar) e outros dois veículos da PM estacionados em frente ao Parque Ary Barroso e à Unidade de Pronto Atendimento 24 horas. Na sexta-feira, houve intenso tiroteio entre policiais e traficantes no local.

Na homilia, D. Orani falou sobre a guerra. "Vimos vários cartazes pedindo a paz. Junto com a sociedade, passamos pelas mesmas dificuldades, passamos pelos mesmos problemas. E vamos todos juntos, nessa grande cidade, construir essa paz."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.