Transamazônica

Região Norte

, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2010 | 00h00

Passados quase 40 anos de sua inauguração, a Rodovia Transamazônica (BR-230) - que corta os Estados da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas, num total de 5 mil quilômetros -, finalmente começará a ser pavimentada no trecho amazônico. No trajeto que corta o Pará, as obras de asfaltamento de 853 quilômetros da região devem começar em março. Até agora, apenas 200 quilômetros são asfaltados.

Os planos do governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974), durante o regime militar brasileiro, previam que a rodovia cruzaria o Brasil de leste a oeste, ligando as regiões Norte e Nordeste com o Peru e o Equador. A ideia era escoar a produção brasileira para o Pacífico por uma estrada pavimentada de 8 mil quilômetros. Nada disso se concretizou nessa que é considerada uma das principais "obras faraônicas" da ditadura.

Desde a inauguração em 1972, a Transamazônica esteve quase sempre jogada às moscas. Na época de chuvas, entre outubro e março, é praticamente impossível atravessá-la, já que se transforma em um mar de lama, buracos e poças.

Além do planejamento pífio, o governo tampouco se preocupou em fazer um estudo do impacto ambiental e social da rodovia. Resultado: os índices de desmatamento na região aumentaram durante a sua construção, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Para tentar evitar o agravamento da situação durante o asfaltamento, o Ministério do Meio Ambiente está estudando medidas de proteção no local, como planos de gestão de recursos hídricos. Mas hoje a paisagem já está bastante modificada por vilarejos, cidades, plantações, pastos e áreas de extração de madeira que proliferaram ao longo das quatro décadas.

Tudo para que boa parte da população que vive à beira da Transamazônica só recebesse energia elétrica em 1999.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.