Clériston Amorim/AGazeta.Net
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Transferência de presos causa motim em presídio no Acre

Detentos que são apontados como líderes da facção criminosa responsável por ataques incendiários no estado seriam transferidos para presídio federal de segurança máxima; colchões foram queimados e Corpo de Bombeiros e Bope foram acionados

Itaan Arruda, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 09h09

RIO BRANCO - Os presos da “Ala do Chapão” do presídio Francisco D’Oliveira Conde iniciaram um motim por volta das duas da tarde desta sexta-feira, 19. O problema começou no pavilhão K e se estendeu. Os detentos se recusaram a voltar às celas após o banho de sol. Colchões foram queimados e eles também começaram a “bater grade” (fazer barulho de objetos de metal nas grades das celas). O motivo do motim foi a transferência de alguns presos do presídio estadual para o presídio federal de segurança máxima Antônio Amaro. Os presos que serão transferidos são apontados como lideranças de facção criminosa responsáveis pelos ataques incendiários nos últimos dois dias em todo o Acre.

No presídio Antônio Amaro, eles vão cumprir rotina dentro do Regime disciplinar Diferenciado. Dessa forma, ficam praticamente isolados e sem contato com os subordinados fora do presídio estadual. Corpo de Bombeiros, Samu e o Batalhão de Operações Policiais foram acionados. A situação ficou tensa quando eles avistaram os soldados do Bope entrando junto com agentes penitenciários. Houve uso de armas não letais, como balas de borracha.

Os familiares dos presos bloquearam a Estrada do Barro Vermelho, estrada que dá acesso ao presídio, por mais de três horas. Houve confronto entre algumas esposas de presos e militares. Elas só desbloquearam a via após a direção do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) negociar. Uma comissão formada por quatro mulheres entrou no presídio após a situação ter sido controlada. Já são mais de 50 feridos que não param de chegar ao Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco. Uma rua nas imediações do Pronto Socorro foi isolada para que as viaturas com presos feridos chegassem com mais agilidade. Os casos menos graves estão sendo medicados no próprio presídio.

Médicos e enfermeiros estão sendo acionados em regime de urgência para atender à demanda. Cerca de 20 a 30 policiais estão nesse momento no Pronto Socorro para evitar que haja resgate de presos na unidade. O clima é tenso. As autoridades em Segurança Pública reforçam o efetivo nas ruas no fim de semana. Há possibilidade real de que os ataques coordenados por facção criminosa sejam intensificados no fim de semana. 

O Governo do Acre divulgou uma nota sobre o problema: "O Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) esclarece que durante um procedimento de movimentação de presos do Pavilhão “K”, realizado na tarde desta sexta-feira, 19, houve resistência por parte dos detentos, quando avistaram as equipes do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) e agentes penitenciários. Momento em que os detentos iniciaram um motim, queimando colchões e batendo grades. 

O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados por medidas preventivas. Em razão da resistência violenta dos detentos, foi necessária a utilização proporcional da força policial para cessar o motim. Tanto detentos quanto policiais sofreram ferimentos leves. 

A direção esclarece que os agentes e os policiais agiram dentro dos procedimentos legais e toda a situação durou cerca de 40 minutos, até ser controlada. No momento, equipes do Samu e da unidade de saúde penitenciária realizam os devidos atendimentos médicos. A conduta dos detentos será apurada em procedimento administrativo. A direção da unidade formou uma comissão de familiares e servidores administrativos do Iapen para dialogar com familiares que estão no local".

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