Transporte dos animais precisa ser aprimorado

Cuidados no embarque e desembarque, veículos em boas condições e motoristas treinados garantem bem-estar

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2009 | 02h59

No Brasil, especialistas do setor concordam que o manejo do transporte da fazenda ou da granja até o frigorífico precisa ser aprimorado. "Na União Europeia, os transportadores de animais vivos são treinados. Entendem o comportamento do animal, respeitam normas como a lotação do caminhão e têm até licença especial", compara a coordenadora do Steps, Charli Ludtke.

 

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Conforme Murilo Quintiliano, do Grupo Etco, o gargalo do transporte no País está nas péssimas condições dos caminhões e no manejo de embarque e desembarque. "O veículo deve ser adequado, facilitar a acomodação dos animais e estar em boas condições de uso, limpo e seguro. E nunca exceder a lotação permitida."

BONS EXEMPLOS

Embora o transporte de animais seja responsabilidade da indústria, a Agropecuária Jacarezinho, que possui 35 mil cabeças de gado em fazendas em São Paulo e na Bahia, criou um protocolo de embarque para garantir o bem-estar da boiada. Pelo protocolo, explica o gerente de pecuária da Jacarezinho, Luiz Fernando Boveda, são embarcados apenas animais do mesmo sexo e em lotes uniformes e pequenos. O processo é feito com calma, sem usar varas, cães, gritos ou choque elétrico, afirma.

Com o mesmo intuito, o Frigorífico Marfrig, com oito unidades de abate, em Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, criou, há dois anos, um departamento exclusivo de bem-estar animal. "Um responsável acompanha, todos os dias, a rotina do animal e verifica o manejo, do embarque ao abate, além das condições das instalações", diz o zootecnista Stavros Tseimazides. O departamento também controla o número de animais machucados por lote e por fazenda.

MOTORISTAS

Outra iniciativa também deve melhorar o manejo no transporte até a indústria. Há dois anos, a Embrapa Suínos e Aves ministra cursos para formação de motoristas para transporte de suínos. "Fizemos o primeiro curso no ano passado e deu certo", diz o coordenador do curso, Osmar Antonio Dalla Costa. Segundo ele, o objetivo é qualificar a mão de obra, reduzindo perdas qualitativas e quantitativas. "O bom manejo reduz a mortalidade e as ocorrências de lesões e contusões no transporte."

O curso é dividido em seis módulos, com carga horária de 30 horas. "Na granja, os motoristas aprendem na prática o manejo correto. No frigorífico, visualizam carnes com hematomas e contusões e têm noção das perdas provocadas por mau manejo. "Agora, o setor produtivo está cobrando a capacitação para o setor avícola", diz Dalla Costa.

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