Transtornos mentais representam 14% das doenças do mundo

Complicações psicológicas superam o câncer como os problemas não contagiosos mais difundidos

Efe,

04 de setembro de 2007 | 08h00

Os transtornos mentais são atualmente as doenças não contagiosas mais difundidas do mundo, e aumentam o risco de problemas cardíacos e diabetes. Um estudo sobre o assunto foi divulgado na segunda-feira, 3, no Reino Unido.   Estes transtornos, com incidência de 28%, superaram o câncer no ranking mundial de doenças não contagiosas e são responsáveis por 14% das enfermidades mundiais.   A revista científica britânica The Lancet dedica um número inteiro à saúde mental para pressionar as instituições mundiais a destinarem verbas específicas para resolver o problema. Atualmente, apenas 3,76% do orçamento sanitário total é destinado ao tratamento destas enfermidades.   Dirigido pelo professor Martin Prince, do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, o primeiro artigo prova que os problemas de saúde mental - que vão desde depressão até esquizofrenia - aumentam o risco de desenvolver problemas de coração, diabetes, aids e malária.   Em um momento em que 90% das 800 mil pessoas que se suicidam no mundo todo a cada ano apresentam algum transtorno neuropsiquiátrico, o estudo reivindica que os tratamentos de saúde mental sejam integrados "em todas as políticas sanitárias e sociais, assim como no planejamento dos sistemas de saúde".   Segundo outro artigo, a escassez de recursos para o tratamento de transtornos mentais e a desigualdade no acesso são as principais dificuldades enfrentadas na luta contra os problemas de saúde mental.   Este segundo estudo afirma que um quinto dos países com orçamento para transtornos mentais gasta menos de um 1% dos recursos no tratamento destas doenças, que ainda são consideradas de importância inferior nos sistemas de saúde da maioria dos países.   "Mais que de tecnologias avançadas, a resolução dos problemas de saúde mental depende de bons profissionais", afirma o relatório.   A publicação afirma que o custo para fornecer os meios necessários para o tratamento seria de apenas US$ 2 por pessoa nos países subdesenvolvidos, e de US$ 3 a US$ 4 nos países de renda média.   Na apresentação do número especial nesta terça-feira em Londres, o diretor da The Lancet, Richard Horton, destacou que os transtornos mentais "não são apenas pouco priorizados, mas profundamente estigmatizados na sociedade".   O economista e diretor do Instituto da Terra da Universidade de Columbia (EUA), Jeffrey Sachs, se mostrou convencido de que o combate aos problemas de saúde mental é "um dos maiores desafios" enfrentados pela sociedade no século XXI.   "Não se trata só de conseguir mais orçamento. É vital fazer os recursos chegarem aos países com receitas menores", afirma Sachs, que considera a pobreza e a falta de educação dois dos fatores que mais propiciam as desordens mentais.

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