Travesti do CE é o 1º do País a obter doutorado

Luma Nogueira Andrade, de 35 anos, tornou-se ontem o primeiro travesti a obter o doutorado no Brasil. A cearense defendeu a tese Discriminação na Rede Pública de Ensino e agora é doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Na defesa, Luma - candidata a vereadora pelo PT na cidade de Russas - apontou falhas na formação de professores no seu Estado.

LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h06

Graduada pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), mestre em Desenvolvimento do Meio Ambiente pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e agora doutora Luma desenvolveu sua tese com base em sua luta por acesso à educação. "Tive de me vestir de homem para assistir às aulas", diz.

Na tese - aprovada com louvor -, Luma destaca as barreiras enfrentadas pelos travestis com base em 95 casos. "Começa logo na chamada, quando os professores já fazem um constrangimento chamando os travestis pelo nome de batismo", relata Luma, que nasceu João Filho Nogueira Andrade e só há dois anos conseguiu mudar o nome em cartório.

No trabalho, ela analisa casos de travestis que frequentavam escolas de ensino fundamental e médio de Fortaleza, Tabuleiro do Norte e Russas. A conclusão é surpreendente. "Nessas cidades do interior, o preconceito contra os travestis é menor, pois eles conseguem viver no ambiente da família, sem precisar se prostituir", diz. Ela constatou que a maioria dos educadores não sabe a diferença entre travesti e homossexual.

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