Três dias, mil pratos, um país

As distâncias deste país continental foram encurtadas, ao menos por três dias. E paisagens e biomas - assim como ingredientes e receitas - couberam todos nas dependências do Grand Hyatt, reunindo chefs de várias regiões.

O Estado de S.Paulo

11 Junho 2009 | 03h20

A edição deste ano do Paladar - Cozinha do Brasil foi muito além das fronteiras da comida, pois degustou com sede a boa bebida brasileira e discutiu temas ligados a produtos nacionais. A diluição de limites geográficos, entretanto, foi além do território nacional, e nossos sabores foram objeto da curiosidade de convidados internacionais muito especiais, tanto na cozinha como na plateia: alguns dos maiores nomes da imprensa gastronômica mundial acompanharam de perto as atividades. Jeffrey Steingarten provou de tudo,

Gael Greene comeu, passeou e colocou os relatos no Twitter, François Simon anotou, filmou...

Neste caderno especial (e na internet), você verá um pouco dessa grande celebração. Um festival em que vanguarda, formigas comestíveis, frutas dulcíssimas e folhas amargas puderam ser deliciosamente combinadas no mesmo caldeirão.

Tudo começou com uma conversa entre três chefs, Alex Atala, Edinho Engel e Mara Salles, reunidos por três dias, a portas fechadas, para discutir a cozinha brasileira, a histórica e a atual. O propósito era grande, maior que o tamanho do encontro. Comeram muito, mais teoria e ideias que comida. E mesmo assim saíram com fome. O Laboratório Paladar surgiu ali, em 2007, com o apetite de entender o Brasil-comida.

No ano seguinte, o manifesto dos três primeiros chefs atraiu muitos mais. O encontro virou uma série de aulas e work-shops. Na verdade, mais um ato de cozinhar junto. Veio gente de todos os cantos, o Brasil descobriu várias gavetas cheias de produtos, d. Jerônima do Marajó trouxe uma mala de espantos. Foi o ano do biri-biri, do achachairu, do turu. A boca urbana mal conseguia repetir este rol de mistérios. Descobrimos que somos menos europeus que pensávamos, ficamos desorientados com tantos países que existiam aqui. E nos demos conta do desafio.

Agora o Laboratório assume o seu nome, Paladar - Cozinha do Brasil. Convida críticos importantes, convoca outros cozinheiros, amplia o repertório de saberes. Descobre as formiguinhas de d. Brazi, frutas, queijos, carnes, ao mesmo tempo em que constata que já temos mesmo chefs de ponta.

E vê que o Brasil pode estar na maneira de criar o porco, seja em Minas, na Catalunha ou em Pernambuco. O Brasil talvez seja uma lista de produtos e técnicas, sem uma dimensão geográfica fixa, como se constatou inclusive no bate-papo de encerramento (foto ao lado). Fazemos fé.

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