Tribunal de crimes de guerra condena ex-general croata a 24 anos

Um tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a 24 anos de prisão um ex-general croata por orquestrar uma campanha de assassinatos e saques para expulsar cerca de 200 mil sérvios de um enclave rebelde da Croácia.

IVANA SEKULARAC, REUTERS

15 de abril de 2011 | 16h11

A decisão de sexta-feira identificou Ante Gotovina e o falecido presidente croata Franjo Tudjman como membros de uma "iniciativa criminosa conjunta" dedicada a retirar os moradores sérvios da região de Krajina e de repovoá-la com croatas.

Os sérvios de Krajina foram forçados a deixar a região durante a ofensiva de agosto de 1995 promovida pela Croácia, chamada de "Operação Tempestade", que retomou a região quase no fim da guerra por sua independência da Iugoslávia.

A prisão de Gotovina em 2005 removeu um sério obstáculo à tentativa da Croácia de se unir à União Europeia. O grupo insiste que todas as ex-repúblicas iugoslavas prendam os suspeitos de crimes de guerra do conflito dos anos 1990 antes de se unir ao bloco. A Croácia espera concluir as conversações de ingresso na UE nos próximos meses.

Porém, a decisão do tribunal sobre Gotovina foi recebida com espanto, raiva e decepção na Croácia. A primeira-ministra Jadranka Kosor disse que seu governo contestará a pena com "todos os meios legais" para auxiliar a apelação anunciada pelos advogados de Gotovina.

"A Operação Tempestade foi uma operação legal para liberar o território croata ocupado", disse Kosor.

Tudjman, um nacionalista conservador, liderou a Croácia durante a independência em 1991 e supervisionou a guerra com o Exército iugoslavo de liderança sérvia e as forças regionais sérvias para garantir a soberania do país.

Ele morreu enquanto estava no poder aos 77 anos em 1999, antes de o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia emitir suas primeiras acusações formais contra as autoridades croatas do alto escalão. Tudjman permanece considerado um herói nacional. Pontes, ruas e outros locais croatas importantes receberam o seu nome.

Para muitos croatas, Gotovina, de 55 anos, também é um herói da "Guerra Interna" da Croácia, especialmente por seu papel na blitz de quatro dias promovida pelo Exército croata, apoiado pelos EUA, para tomar de volta Krajina.

A sua detenção nas Ilhas Canárias, da Espanha, provocou protestos nas ruas da Croácia. Um grupo de veteranos de guerra convocou para sábado um comício de apoio a Gotovina na praça central de Zagreb.

O ex-general da polícia croata Mladen Markac também foi condenado na sexta-feira a 18 anos de prisão. Outro ex-general do Exército croata, Ivan Cermak, acusado pelos menos crimes, foi absolvido.

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