Tripulantes de navio argentino apreendido começam a deixar Gana

Tripulantes de uma embarcação argentina de treinamento naval que foi apreendida por credores em Gana devem começar a deixar o país na terça-feira, após passarem semanas num limbo portuário, disse uma fonte governamental nesta segunda-feira.

KWASI K, Reuters

22 de outubro de 2012 | 21h23

O ARA Libertad, um veleiro com mais de 300 tripulantes, foi apreendido no porto ganense de Tema em 2 de outubro graças a uma ordem judicial obtida pela empresa NML Capital, que pleiteia o ressarcimento por 300 milhões de dólares em títulos públicos argentinos envolvidos numa moratória.

"Nós estamos preparando-os, e a maioria deles começará a ir embora amanhã se conseguirem completar seus processos de imigração", disse a fonte governamental à Reuters, pedindo anonimato.

Os demais tripulantes devem ir embora ao longo da semana, em levas.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse no sábado que determinou a retirada dos 326 marinheiros retidos, deixando em Gana apenas o capitão e alguns auxiliares diretos.

Ela alegou que os direitos humanos dos tripulantes estavam sendo violados, pois um juiz proibiu o abastecimento do combustível necessário para manter em funcionamento os sistemas hidráulicos e os equipamentos de emergência do navio.

O governo de Gana afirmou no domingo que a tripulação está liberada para ir embora, e o principal advogado da NML, Ace Ankomah, disse que a empresa não se oporia à partida dos marinheiros.

Nesta segunda-feira, os marinheiros trabalhavam no cais e pareciam animados. Alguns voltavam da cidade com malas e caixas para embalar suas coisas, conforme uma testemunha da Reuters no porto.

Desde a apreensão do navio, há três semanas, os tripulantes costumam ser vistos correndo, jogando futebol e fazendo compras.

"Gana é um país legal, as pessoas são leais, mas ficar aqui sem fazer nada é diferente de estar em casa sem fazer nada", disse à Reuters um marinheiro com cerca de 25 anos, durante uma visita à loja "duty free" do porto.

Há dez anos, no auge de uma crise econômica, a Argentina declarou uma enorme moratória da sua dívida, e até hoje o país sofre inúmeros processos judiciais nos Estados Unidos movidos por portadores de títulos caloteados.

Gana afirmou que rejeitou os pedidos da Argentina para liberar o barco porque deseja respeitar o ordenamento jurídico.

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