Triunfo de Maldonado na F1 traz união para Venezuela dividida

A primeira vitória do piloto venezuelano Pastor Maldonado na Fórmula 1 trouxe um raro momento de união nacional a uma pátria amargamente dividida meses antes de uma eleição presidencial.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

14 Maio 2012 | 13h10

O piloto de 27 anos de idade tem sido intimamente associado com o governo socialista do presidente Hugo Chávez devido a inúmeras aparições amigáveis ao lado do líder venezuelano e do patrocínio da petrolífera estatal PDVSA.

No entanto, sua emocionante vitória no Grande Prêmio da Espanha no domingo -a primeira de um venezuelano- elevou-o para além de um símbolo do socialismo de Chávez, transformando-o em um herói nacional querido.

"O nosso pastor", foi a manchete do jornal El Universal, normalmente anti-Chávez, brincando com o significado do primeiro nome dele. "Ele uniu a nação com seu triunfo na Espanha."

Dezenas de venezuelanos balançaram bandeiras ao redor de Caracas dizendo "Maldonado, orgulho da Venezuela!"

Em repouso após o tratamento de câncer mais recente, Chávez escreveu no Twitter sobre a vitória. "Eu disse: Nosso Pastor Maldonado venceu, fazendo história. Bravo Pastor! Parabéns a você e a toda a equipe de combate! Venceremos!"

Para não ficar atrás, o seu adversário na próxima eleição presidencial em 7 de outubro, Henrique Capriles, também enviou seus parabéns via Twitter.

"Fantástico Maldonado! Parabéns para o Pastor, para Aragua (o Estado dele) e para toda a nossa Venezuela com este triunfo na Fórmula 1. Viva a Venezuela!"

HERÓI EM CASA

Durante o governo de Chávez de 13 anos, a nação sul-americana tornou-se profundamente polarizada, com os partidários o vendo como um messias superando décadas de injustiça e inimigos classificando o presidente como um ditador perigoso.

O júbilo nacional sobre Maldonado ecoou a sensação positiva do ano passado em relação ao time de futebol da Venezuela, que era a chacota da região por anos antes de finalmente começar a ter uma performance decente em torneios recentes.

A estatal de petróleo PDVSA, que derrubou de forma controversa uma empresa privada local para assumir o patrocínio do time de futebol nacional, tem apoiado Maldonado desde a sua temporada de estreia no ano passado. Não se sabe quanto dinheiro a PDVSA colocou no patrocínio.

"A Venezuela se cobriu de glória", disse a PDVSA, cuja receita com o petróleo financiou a "revolução" de Chávez desde que ele assumiu o poder em 1999.

O rosto radiante e o punho cerrado de Maldonado dominou as manchetes de jornais e imagens de televisão.

No dia mais dramático de sua vida, Maldonado não apenas trouxe a primeira vitória de sua equipe Williams em quase oito anos, mas também levou uma jovem prima para a segurança depois que um incêndio destruiu a garagem de sua equipe.

Isso só aumentou a sua aura de heroísmo em casa.

O piloto geralmente modesto e de fala suave estava em êxtase.

"Acho que há uma nova geração chegando na Fórmula 1 que vai ser bastante comentada", disse ele. "Este foi meu primeiro pódio e minha primeira vitória. Você pode imaginar como me sinto."

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