Trivial, italiano, paulista

Dependendo do ângulo que se olha, o novo Forquilha, com seu exterior de tijolos aparentes e interior de madeira, pode parecer só mais uma daquelas ditas fornerias. Ou um restaurante com jeito de bar. Ou quem sabe um bar à vin com menu de restaurante - no salão há uma máquina Enomatic, com seis rótulos diferentes, para doses de 25, 75 ou 150 ml, rodeada por mesinhas de degustação. Mas a identidade é uma questão secundária diante do que mais importa: seus pratos misturam saudavelmente uma certa alma caseira com bom acabamento profissional.

Luiz Américo Camargo,

15 Agosto 2013 | 02h50

Para ser ainda mais objetivo, há pelo menos quatro itens bastante confiáveis no cardápio do chef Bruce Le Greco. Eu me refiro ao arroz de galinha caipira (R$ 39) e ao arroz de bacalhau (R$ 43), finalizados no forno a lenha, ambos leves, mas com evidentes notas de apuro. À lasanha mamadi (R$ 36), sobre a qual discorro mais abaixo. E principalmente ao picadinho (R$ 34), muito bem temperado e cuidadoso nas guarnições, em particular os chips de batata.

No Forquilha, predomina um jeito heterodoxo de lidar com a cozinha italiana. Quase como uma releitura, tendendo ao estilo paulista. Vejamos as massas. As opções provadas estavam estritamente al dente, o que deveria ser o óbvio do mercado, mas ainda não é. O espaguetini à siciliana (R$ 38), com sardinha, passas, molica de pão, é saboroso e ficaria melhor com uma pasta não tão fina, que conferisse à cada garfada uma mordida mais consistente. O talharim do pescador, com lulas e vôngole, por sua vez, traz uma curiosa adição de queijo ralado por cima do prato. Fosse na Itália, seria uma heresia. Como estamos em São Paulo, me cabe apenas perguntar: é necessário?

Mas a melhor pedida foi a lasanha mamadi, não por acaso a sugestão mais presente na maior parte das mesas, em todas as visitas que fiz. O serviço é feito na frente do cliente: um carrinho chega com uma travessa recém-saída do forno a lenha, de onde é cortada uma porção bem dimensionada, sem excessos nem miséria. A pasta fresca é delicada, não há exagero na proporção entre queijo e presunto, assim como na quantidade de molho. O equilíbrio que, enfim, se traduz num bom prato.

O atendimento é prestativo e a presença dos donos pelo salão ajuda no clima hospitaleiro. Mas ainda falta perícia na dosagem de esforços. Exemplo? Em vez de se dedicar a encher o copo dos clientes com água (isso, se muito, convém mais a um restaurante formal, não a um bar), talvez fosse mais importante não desaparecer nos momentos finais da refeição, durante a tríade sobremesa-café-conta. De resto, no cotejo entre o que se propõe a fazer e o que realiza, a casa parece ter rumo. Nem sei se uma coisa está atrelada a outra, mas a opção de investir em vinho em taça em detrimento de valet e hostess já diz muito sobre a sua clareza de propósitos.

Por que este restaurante?

Porque é uma boa novidade.

Vale?

A maioria dos principais custa entre R$ 30 e R$ 40. Os petiscos, em torno de R$ 20. Está direito, vale.

Onde fica?

Forquilha: R. Vupabussu, 347, Pinheiros, 2371-7981. 18h/0h (sáb., 12h/1h; dom., 12h/17h; fecha 2ª). Cc.: A, M e V. Manob.: não tem (Estac. no nº 210)

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.