Troca de tiros intensa ocorre antes de marcha na Costa do Marfim

Uma intensa troca de tiros ocorreu na manhã desta quinta-feira em Abidjã, na Costa do Marfim, perto do local que serve de base para o líder da oposição Alassane Ouattara, vencedor da controversa eleição presidencial realizada em novembro no país.

TIM COCKS, REUTERS

16 de dezembro de 2010 | 11h57

Os disparos foram contínuos e surgiram antes de partidários de Ouattara iniciarem uma marcha nesta quinta-feira com o objetivo de tomar o controle da TV estatal, disseram testemunhas.

"Está havendo tiroteio. Há artilharia. Há explosões. Está tudo vindo da direção do Golf Hotel", disse uma testemunha, referindo-se ao local que Ouattara e seus seguidores utilizam como sua base, sob vigilância de forças de paz da ONU. Uma outra testemunha que mora nas imediações confirmou escutar tiros de armas pesadas.

Forças de segurança do governo, alojadas em caminhonetes equipadas com metralhadoras, bloquearam as ruas que conduzem ao hotel.

O atual presidente marfinense, Laurent Gbagbo, declarado vitorioso pela principal corte do país, controla as instituições do Estado. Os militares e a polícia foram colocados em massa nas vias das principais cidades depois que os aliados de Ouattara fizeram um chamado à população para sair às ruas e assumir o controle dos edifícios públicos.

A tensão vinha aumentando no país, principal produtor mundial de cacau, depois da eleição de 28 de novembro, cujo objetivo era aplacar a divisão entre o Norte e o Sul, decorrente da guerra civil de 2002/2003. No entanto, agora há o temor do retorno do conflito aberto.

Uma manifestação na capital, Yamoussoukro, na quarta-feira, foi reprimida pela polícia com o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Pelo menos uma pessoa morreu, disseram testemunhas.

A ONU reconheceu a vitória Ouattara na eleição presidencial. Ouattara, ex-funcionário do FMI, recebeu apoio dos rebeldes nortistas que enfrentaram Gbagbo em 2002/03.

As autoridades eleitorais haviam declarado a vitória de Ouattara no segundo turno da eleição, com 54,1 por cento dos votos. Mas o Conselho Constitucional -- dirigido por um aliado de Gbagbo -- acatou a queixa do presidente de que houve fraude a favor de seu rival no norte do país e anulou milhares de votos de regiões que são reduto de partidários de Ouattara.

Tudo o que sabemos sobre:
COSTADOMARFIMTIROSCAPITAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.