Tropas da Síria prendem centenas de pessoas em estádio

Tropas da Síria invadiram casas em um distrito sunita do porto de Latakia nesta quarta-feira, disseram moradores, prendendo centenas de pessoas e as levando para um estádio, depois de quatro dias de ataque com tanques para reprimir os protestos contra o presidente Bashar al-Assad.

REUTERS

17 de agosto de 2011 | 10h31

As forças de Assad atacaram al-Raml al-Filistini, nomeado em homenagem a um campo de refugiados construído nos anos 1950, no final de semana, como parte da campanha para acabar com o levante popular de cinco meses, que se intensificou desde o começo do mês sagrado do Ramadã, em 1o de agosto.

Latakia tem significado particular para Assad, que é da minoria alauíta. O presidente, de 45 anos, que se autodeclara campeão da causa palestina, veio de um vilarejo a sudeste, onde o pai dele está enterrado. A família de Assad, além dos amigos, controla o porto e as finanças da cidade.

"Bombardeios e sons de metralhadoras em tanques diminuíram hoje. Eles estão levando centenas para a Cidade Esportiva de al-Raml. Pessoas que são escolhidas a esmo de vários lugares em Latakia também estão sendo levadas para lá", disse um morador, referindo-se ao complexo esportivo que serviu de sede para os Jogos Mediterrâneos nos anos 1980.

"Os tanques continuam se posicionando, estão agora na rua principal Thawra", afirmou o morador, estudante universitário que não quis ser identificado.

"Os relatos sobre as condições de detenção e tortura são cada vez mais alarmantes. Assad está cada vez mais acossado usando mais e mais violência e colocando mais sírios contra ele", afirmou um diplomata.

Citando testemunhas em Latakia, o Observatório Sírio para Direitos Humanos disse que uma força de cerca de 700 oficiais de segurança se espalhou por al-Raml, com casas sendo demolidas na vizinhança "sob o pretexto de que não tinham alvarás de construção".

"Os estádios da Cidade Esportiva estão servindo de abrigo para refugiados, para impedir que eles fujam de Latakia, e assim como vimos em outras cidades atacadas, como um centro de detenção", disse o diretor do observatório Rami Abdelrahman à Reuters.

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