Tropas permanecem no Barein até fim de 'ameaça', diz chanceler

O ministro das Relações Exteriores do Barein disse na segunda-feira que as forças da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos chamadas para ajudar a controlar um levante popular deixarão o país apenas quando "qualquer ameaça externa" associada por ele ao Irã tiver desaparecido.

REUTERS

18 de abril de 2011 | 16h03

Os manifestantes pró-democracia do Barein negaram ter ligações com a República Islâmica.

O primeiro-ministro do Barein, país de maioria xiita governado por sunitas, classificou as semanas de protesto antigoverno como tentativa de golpe e disse que os que participaram das manifestações serão levados à Justiça.

Os manifestantes, xiitas em sua maioria, pediam mais liberdade, o fim à discriminação e uma monarquia constitucional no Barein, país aliado dos EUA que abriga a Quinta Frota do governo norte-americano.

Os governantes do Barein reprimiram os protestos no mês passado, empregando forças de segurança na capital e convocando tropas de seus vizinhos no Golfo Pérsico sob a égide de um pacto de defesa regional, numa medida vista pelos manifestantes como um ato de guerra.

O chanceler do país, xeique Khaled bin Ahmed al-Khalifa, indicou que as tropas do Golfo poderão permanecer algum tempo no país, dizendo que ficariam até que terminasse a ameaça aos países do Golfo Pérsico vinda do governo xiita do Irã.

"Não há forças sauditas, elas são forças do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) e partirão quando terminarem com qualquer ameaça externa", disse ele à Reuters nos bastidores de uma conferência nos Emirados Árabes Unidos.

Solicitado para falar mais sobre o assunto, ele disse: "A ameaça externa é regional. A Ameaça externa é um desentendimento completo entre o CCG e o Irã. Isso é uma ameaça."

"Não estou apontando os dedos, mas o que vemos do Irã, no Barein, na Arábia Saudita, no Kuweit, a ocupação das ilhas dos Emirados, não torna a situação positiva. Isso mantém uma ameaça constante."

Os manifestantes afirmaram não ter ligação com o Irã, rejeitando as acusações das autoridades de que eram apoiados pela República Islâmica e pelo movimento xiita Hezbollah, que negou ter treinado manifestantes.

(Reportagem de Frederik Richter, em Manama; e de Martina Fuchs, em Dubai)

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