Tropas sírias entram em cidade onde começaram protestos

Tropas sírias e tanques tomaram Deraa de assalto nesta segunda-feira, disseram moradores, com o intuito de esmagar a resistência na cidade onde há um mês irrompeu um levante contra o governo autocrático de 11 anos do presidente Bashar al-Assad.

KHALED YACOUB OWEIS E SULEIMAN AL-KHALIDI, REUTERS

25 de abril de 2011 | 08h50

Uma testemunha disse à Reuters ter visto corpos na rua depois que centenas de soldados em veículos blindados entraram em Deraa, alguns quilômetros distante da fronteira síria com a Jordânia no sul, que autoridades disseram ter sido fechada nesta segunda-feira.

Um destacado ativista de direitos humanos declarou que as forças de segurança, que também varreram o instável subúrbio de Douma, em Damasco, desencadearam "uma guerra selvagem para aniquilar os democratas da Síria".

Grupos de direitos humanos afirmam que as forças de segurança mataram mais de 350 civis desde que os tumultos irromperam em Deraa em 18 de março. Um terço das vítimas foi morta a tiros nos últimos três dias à medida que a escala e o alcance da revolta popular contra Assad cresceram.

Assad anulou o estado de emergência em vigor há 48 anos na quinta-feira, mas os ativistas disseram que a violência do dia seguinte, quando 100 pessoas foram mortas durante protestos em todo o país, mostrou que ele não acolhe seriamente os pedidos de liberdade política.

A segunda-feira pareceu ser a primeira ocasião em que as autoridades enviaram tanques para centros urbanos desde que as manifestações tiveram início.

As batidas em Deraa e Douma deram a entender que Assad, que assumiu o poder quando seu pai morreu em 2000 após governar com punho de ferro por 30 anos, está determinado a esmagar a oposição à força.

A testemunha em Deraa disse à Reuters que podia ver corpos jazendo em uma das ruas principais próxima da mesquita de Omari depois que oito tanques e dois blindados ocuparam o velho bairro da cidade.

"As pessoas estão se abrigando nas casas. Eu consegui ver dois corpos perto da mesquita e ninguém pôde sair e arrastá-los", afirmou a testemunha.

Atiradores de elite estavam posicionados em edifícios do governo, e forças de segurança em vestimenta do Exército disparavam a esmo contra as casas depois que os tanques chegaram, pouco após as orações da madrugada.

Os tanques nos principais pontos de acesso a Deraa também dispararam contra alvos na cidade, disse um morador chamado Mohsen à Al Jazeera, que mostrou uma nuvem de fumaça negra sobre os edifícios. "As pessoas não podem ir de uma rua à outra por causa dos bombardeios."

Dois moradores afirmaram à Al Jazeera terem visto soldados disparando de seu lado, aparentemente para permitir às pessoas que retirassem os feridos das ruas. Os relatos não puderam ser confirmados.

A maioria dos jornalistas estrangeiros foram expulsos do país, tornando quase impossível verificar a situação no local. Filmagens aterradoras publicadas na Internet por manifestantes nos últimos dias parecem mostrar tropas disparando contra multidões desarmadas. As autoridades culparam grupos armados pela violência.

(Reportagem adicional de Sami Aboudi no Cairo e Mahmoud Habboush em Dubai)

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