Trote leva calouro para o hospital, em Leme (SP)

Em São Paulo, dois calouros da PUC-SP foram hospitalizados na segunda-feira, por excesso de álcool

Solange Spigliatti, Central de Noticias

10 de fevereiro de 2009 | 14h04

A polícia da cidade de Leme, no interior de São Paulo, aguarda nesta terça-feira, 10, um laudo médico sobre o estado de saúde do jovem Bruno Cesar Ferreira, de 21 anos, para abrir um inquérito policial.    Conte a sua história de trote Você aprova os trotes de veteranos em calouros?  Você tem imagens de trote? Envie ao Foto Repórter Bruno foi uma das vítimas de trote violento de alunos veteranos da Faculdade Anhanguera, instalada na cidade, na tarde desta segunda-feira, 09, segundo a polícia. De acordo com o único boletim de ocorrência registrado, a mãe do jovem acionou a Polícia Militar após encaminhar o filho para o pronto-socorro de Leme. De acordo com a mãe, Bruno foi amarrado e agredido fisicamente pelos veteranos da Faculdade de Veterinária, que obrigaram o jovem a ingerir grande quantidade de bebida alcoólica.   Redução de danos    Na capital paulista, para tentar reduzir casos de embriaguez na primeira semana de aula, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) implantou uma política de redução de danos. Uma das estratégias é distribuir água e alimentos - como goiabada em barra e pipoca.   Ainda assim, seis pessoas foram atendidas na manhã de segunda-feira, 9, na enfermaria da instituição por causa do consumo excessivo de álcool. Duas foram para o hospital.     "O número (de atendimentos) é expressivo", avalia o vice-reitor de cultura e relações comunitárias da PUC, Hélio Roberto Deliberador. "Não fomentamos o uso de álcool. Estamos respondendo a uma realidade, que é o uso de álcool, e tentando reverter essa cultura." Na primeira semana de aula de 2008, a universidade teve 13 casos de alunos medicados por causa de bebida alcoólica. Três foram levados a hospitais.   Na segunda-feira, dois dos seis alunos atendidos na PUC foram para unidades de saúde e liberados em seguida.  A ação deste ano termina na sexta-feira.   A PUC-SP também criou o disque-calouro, para receber denúncias de abusos. Os calouros podem reclamar pela internet (calouros2009@pucsp.br) ou pelo telefone 0xx11 3670- 8083.   Rito de passagem   Na Universidade de São Paulo (USP), Camila Mattoso, diretora do Diretório Central de Estudantes (DCE), explica que a organização de estudantes não planeja trote, mas a chamada calourada, que é uma semana com uma série de atividades e palestras realizadas para apresentar a universidade para os novos estudantes.   "Neste ano, nosso tema é 'a Universidade em tempos de crise', então todas as atividades remetem à crise financeira global", explica.   Ainda assim, no dia da matrícula, atividades associadas ao trote tradicional acontecem em quase todas as unidades da Universidade. Para Camila, o dia da matrícula em uma universidade como a USP "é inesquecível e, por isso, fazemos de tudo para não acabar com a importância dessa data para o estudante."   Camila lembra que em uma universidade grande como a USP, a intensidade do trote varia. "Eu sei que o trote da Medicina e da Poli são mais pesados que o da FFLCH, por exemplo."   Na PUC-SP, Bruno Eduardo Levorini, estudante do 3° ano de Filosofia, conta que alguns cursos têm fama de aplicar trotes mais pesados, como o curso de Direito. Em sua opinião, existem pessoas que abusam durante a brincadeira, em todos os cursos. "Esse dia reflete quem você é como pessoa, como é no dia a dia. A violência da brincadeira diz muito a respeito das pessoas."   Para Levorini, o trote é uma atividade importante e que devia ser considerada um "ritual de passagem para todos."   Buscando alternativas para as atividades tradicionais do trote, a PUC-Jr, empresa de alunos da FEA da PUC-SP, organiza todos os anos o chamado trote solidário. É o que explica a coordenadora da área de eventos, Maria Luisa Lousada: "Participando de atividades alternativas, os alunos podem se integrar sem a possibilidade de existir qualquer tipo de violência."   Maria Luisa conta ainda que a maior parte dos novos alunos preferem participar do trote tradicional e que há um número limitado de vagas para essas atividades.   Durante o trote solidário os alunos distribuem kits promocionais em um "pedágio solidário" entre outras atividades.   (com informações do Jornal da Tarde e de Giovanna Montemurro, do estadao.com.br)

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