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Truck ou truque? Avaliamos oito itens em food truck para descobrir se a moda vale a pena ou não

Saímos às ruas para saber se os food trucks vieram para ficar ou se a moda acabará desbancada pelas outras opções gastronômicas da cidade

Fernada Araujo, O Estado de S. Paulo

28 Novembro 2014 | 08h29

Este é o ano dos food trucks. Mas ainda não dá para saber se eles estacionaram para ficar. Nas ruas, nos food parks ou em eventos, esses caminhõezinhos estão circulando por aí e alimentando um público curioso, atrás de boa comida de rua, novos sabores, ou até de uma experiência diferente.

Por isso, o Divirta-se saiu pela cidade para avaliar a relação custo-benefício de oito pratos servidos nos caminhões – e compará-los tanto com opções similares vendidas em casas mais simples quanto com a oferta de estabelecimentos reconhecidos no circuito gastronômico. Nas páginas a seguir, você confere quem levou a melhor.

Também não faltou um balanço dos food parks. E o resultado nem sempre foi animador. Em alguns, a combinação ingrata de fraca infraestrutura, comida mediana e preço alto é desastrosa. Preocupados com o bom atendimento, muitos carros têm levado mesas e álcool em gel por conta própria. E brigam para mostrar que são mais do que uma moda passageira. 

Empanada

Difícil concorrer com as empanadas da chef Paola Carosella, do Arturito (R$ 7; foto). Assada no forno a lenha, tem massa fina e recheio suculento com carne picada (e não moída), batata, ovo orgânico e azeitona verde. O tempero é deliciosamente picante e ela pode ser devorada, sem qualquer cerimônia, no bar da casa. R. Artur de Azevedo, 542, Pinheiros, 3063-4951.

É na carroceria de um Chevrolet 1950 que os cozinheiros terminam de assar a boa empanada de massa média, carne moída, cebola e azeitona do El Favorito. Custa R$ 6,50 no endereço fixo do truck (Av. Cidade Jardim, 658) e R$ 8 em eventos. www.facebook.com/elfavoritofoodtruck

A combinação cerveja gelada e empanada tem clientela cativa no salão escuro e antigão do Empanadas Bar. A receita, preparada na casa desde 1980, tem massa média, recheio farto de carne, azeitona e uva-passa. É um salgado honesto, bem temperado. Mas a massa poderia ser melhor assada (R$ 7,30). R. Wizard, 489, V. Madalena, 3032-2116.

Hot dog

“Tá lindo”, disse o funcionário do 13 Truck ao entregar à reportagem o ‘13 Dog’(R$ 18; foto). Estava bonito e muito gostoso. Ele vem com pão australiano, salsicha frankfurt, cheddar, cebola caramelizada e mostarda. www.facebook.com/13truck

O Super Hot Dog é uma tradição dentro da USP. O tradicional (R$ 6), com salsicha, catchup, mostarda e requeijão, sai no capricho. O problema são insetos das árvores próximas, que não deixam ninguém comer em paz. Travessa C, s/nº, Cid. Universitária (próximo ao estádio).

O atendente do The Dog Haüs recomendou (coincidência?) o mais caro da casa: o ‘Choripan’ (R$ 28), com maionese de alho e molho chimichurri. O preço é injusto. Pode ir no tradicional (R$ 12). R. Bandeira Paulista, 400, Itaim Bibi, 2361-4729.

Falafel

Entre as opções de falafel testadas, todas se saíram bem. Mas a do Arabia se destacou. Os 12 minibolinhos (R$ 26; foto) são bem temperados, crocantes por fora e macios por dentro. E vêm com pães sírios que chegam à mesa em saquinhos plásticos, para mantê-los sempre quentes. R. Haddock Lobo, 1.397, Jd. Paulista, 3061-2203.

No trailer do Falafeando, os tradicionais bolinhos de grão de bico e fava vêm bem quentes e têm casquinha crocante. A porção com cinco unidades, vendida a R$ 10, tem ótima relação custo-benefício. O molho de tahine, à base de gergelim, é saboroso, mas poderia ser um pouco menos líquido. O atendimento atencioso e ágil garante uma boa experiência. www.facebook.com/falafeando

Não espere nenhum luxo ao entrar no Falafel Malka. O pequeno restaurante fica no segundo piso de uma antiga e movimentada galeria comercial – com mesas de madeira ocupando o corredor. A porção de sete bolinhos (R$ 25) é servida no prato, com tomate, repolho e picles. Cobertos por um cremoso molho tahine (com quantidade extra à parte), também são acompanhados por um pão sírio fresco e fofinho. R. José Paulino, 345, Bom Retiro, 3222-2157.

Massa

O preço não é dos melhores. Um prato sai por R$ 49. Mas o nhoque do Attimo (foto) vale cada real. Delicadíssima, a massa desmancha na boca, deixando evidente a prevalência da batata sobre o trigo. Pungente, o molho serve como o contraponto ideal e se torna ainda mais intenso com a companhia do pecorino ralado. R. Diogo Jacóme, 341, V. N. Conceição, 5054-9999.

O atendimento atencioso e as massas preparadas na hora, diante dos clientes, são o ponto forte do Holly Pasta. Apesar dos atrativos, faltou leveza à massa do nhoque à bolonhesa (R$ 19), mais pesada do que o desejável. Temperado com bacon e com carne saborosa, o molho não decepcionou. www.facebook.com/HolyPastaFoodtruck

Quem está em busca de boa relação custo-benefício encontra opção no Pastifício Primo. De segunda a sexta, a rotisseria serve, em pratinhos plásticos, as massas de fabricação própria a preços tentadores. O nhoque (R$ 9,90) poderia ser menos espesso. Mas nada que não possa ser compensado pelo sugo suave e coberto por farto parmesão ralado. R. Alagoas, 26, Higienópolis, 3368-2299.

Churros

Sob rodas ou em barraquinhas, o Churros Tentação está presente nos principais food parks e feirinhas da cidade. O quitute, que custa R$ 8, vem caprichado (foto) e foi o que mais se destacou dentre as três opções testadas. A massa é fina e sequinha, com recheio generoso por dentro e por fora. Para finalizar, eles ainda recebem cobertura de confeitos. Há outros sabores, como o de Nutella, e até versões salgadas. www.facebook.com/churrostentancao

O doce de leite é a grande estrela da porção de churros do Bar da Dona Onça, da chef Janaína Rueda. Ele é servido quentinho – o que o deixa ainda mais caramelizado, ao estilo argentino. A sobremesa, que custa R$ 19, vem com cinco palitos de churros em tamanho menor, para mergulhar na cobertura. Apesar de ser bem sequinho e frito na hora, o quitute poderia ser mais fino. Dessa maneira, a massa ficaria mais leve e crocante. Edifício Copan. Av. Ipiranga, 200, República, 3257-2016.

Na tenda do Churros O Tradicional, armada dentro de um supermercado, o quitute vale mais pelo preço (R$ 3) do que pelo sabor. Não há novidades e o preparo é parecido com o de qualquer carrinho simples de rua. Frita na hora, a massa é gordurosa em excesso – e recebe boas doses de açúcar e doce de leite. Há também opção de chocolate. Av. Otaviano Alves de Lima, 1.824, Limão, 3952-8500.

Hambúrguer

O ‘X-salada’ (R$ 9,90; foto) do Buzina Food Truck segue a linha simples mas caprichada. Com ingredientes comuns, como alface, tomate e cheddar, o sanduíche não impressiona, mas é delicioso: tem pão macio, carne que desmancha na boca e aioli (uma maionese de alho). www.facebook.com/buzinafoodtruck

Na praça arborizada e pacata de Moema, a barraca do Hambúrguer Gourmet do Mauro (R$ 9,90) tem ótimo custo, mas o benefício não é tão bom. Num largo com poucos bancos (o único lugar para se sentar perto da barraca é um banquinho com três lugares) e, sem nenhum banheiro, o conforto é pouco. Embora seja generoso, o sanduíche de Mauro tem um hambúrguer de patinho com tomilho e sal grosso massudo e salgado demais, enquanto o pão e a maionese acebolada são insossos. Pça. N. S. Aparecida, s/nº, Indianópolis, 3397-4185.

Num bairro que concentra várias hamburguerias, o Meats se destaca sem dificuldades. O restaurante – com salão amplo, dois janelões de vidro abertos para a rua e visual descolado – serve um ótimo cheese burger (R$ 23,50). O hambúrguer farto, feito de um blend de acém, peito e pescoço, é bastante suculento, mas vem com poucos acompanhamentos. Além da carne num pão levemente tostado por fora e macio por dentro, só leva picles, cheddar e uma pequena porção da maionese da casa, tão gordurosa quanto saborosa. R. dos Pinheiros, 320, Pinheiros, 2679-6323.

Coxinhas

Com boa proporção entre massa e recheio, a coxinha de frango (R$ 4,90) é o carro-chefe do Santa Coxinha. Com massa de batata ou mandioca, ela é frita na hora, sequinha e muito recheada. Além da tradicional, a casa prepara o quitute em mais de 50 sabores diferentes. Pça. Rep. Lituana, 73, V. Zelina, 2345-4249.

O Só Coxinhas Food Truck faz jus ao termo ‘minicoxinha’, já que o quitute é menor que os servidos em festas infantis. O custo-benefício é questionável, embora a coxinha seja gostosa. A porção ‘grande’ traz 12 unidades a R$ 10, tradicional ou de queijo. www.facebook.com/socoxinhasfoodtruck

A coxinha de frango com catupiry do Veloso Bar é unanimidade. No dia da visita da reportagem, em todas as mesas ela se fazia presente. A porção (R$ 25,50, seis unidades) é frita na hora e os bolinhos têm a massa fina e fresca (feita no dia em que é servida) e um generoso – e delicioso – recheio. R. Conceição Veloso, 54, V. Mariana, 5572-0254.

Ceviche

O topo de uma escada é o esconderijo para as delícias do Rinconcito Peruano. Bastante simples, o restaurante criado pelo ex-camelô Edgar Villar é famoso pelo ceviche (foto), de saboroso molho ‘leche de tigre’, com coentro, limão, salsão e alho. A porção mista tem peixe branco e frutos do mar, com milho tostado e batata-doce (cozida com Fanta laranja, cravo e canela). Mas não é barato: R$ 35. R. Aurora, 451, Santa Ifigênia, 3361-2400.

Em um caminhão vermelho, com atendentes simpáticos, o La Peruana prepara ceviche típico de fast-food, mas honesto: com milho (enlatado), tiras de cebola roxa e purê de batata-doce. A versão mista, feita com peixe branco e camarão sai por R$ 24. www.facebook.com/laperuanabr

Badalado, o Suri Ceviche Bar tem pratos bons, decorados com esmero. O ceviche da casa (R$ 37) leva salmão, lula e camarão, servido com chips de banana e molho leve (com leite de coco e emulsão de abacate). No ‘tigarah’ ( R$ 39,50), decorado com pasteis, o molho é tão picante que rouba a cena dos outros ingredientes. O cardápio, entretanto, não informa sobre o teor da pimenta nos pratos. R. Matheus Grou, 488, Pinheiros, 3034-1763.

Pelas ruas: Visitamos oito locais da cidade que servem de ponto de parada para food trucks – e avaliamos sua estrutura. Confira a seguir os detalhes de cada um deles.

BUTANTAN FOOD PARK: A área ocupada é grande: 1.400m2. Há dezenas de mesas de madeira ao ar livre, com guarda-sóis, e também uma área coberta (onde se concentram barracas de cervejas artesanais e um público mais jovem). Ainda assim, este food park costuma estar sempre cheio – com muita gente comendo em pé ou em uma praça bem cuidada, próxima dali. A estrutura conta com três banheiros limpos e bem cuidados, além de um exclusivo para deficiente. R. Agostinho Cantu, 47, Butantã. 11h/22h (2ª, 3ª e 4ª, 11h/16h; dom., 12h/19h).

PÁTIO GASTRONÔMICO: O espaço tem um quê de food park de bairro. Com espaço para nove caminhões e oito barracas diferentes a cada semana, é frequentado por famílias com bebês e moradores dos arredores. Pet-friendly, com Wi-Fi e banheiros limpos, o espaço recebe de comida vegan a hambúrgueres. R. Relíquia, 383, Jd. das Laranjeiras. 12h/15h (sáb. e dom., 12h/20h; fecha 2ª e 3ª).

ESPAÇO BERRINI: Estreou no último fim de semana e ainda se esforça para atrair o público da região. A partir desta segunda (1º), passa a abrir diariamente. Barraquinhas e caminhões ficam num galpão coberto, com algumas mesas e bancos comunitários. Porém, a estrutura é precária, com banheiros químicos, e valet a R$ 20. R. Eng. Mesquita Sampaio, 518, V. São Francisco. 11h/19h (sáb. e dom., até 20h).

FARIA LIMA FOOD PARK: Relativamente novo na cidade, o food park ainda funciona em caráter experimental – com documentação provisória expedida pela prefeitura. Um bom exemplo foi a praça de alimentação improvisada entre os prédios, na estreita Rua Matias Valadão, travessa da Avenida Brig. Faria Lima. O local, que funcionou até a semana passada, abrigou cinco caminhões e dois carrinhos de doce.

WHEELZ GASTRONOMIA: O espaço já atrai quem trabalha na Vila Olímpia, com os participantes variando diariamente. Mas, nem com o espaço aberto, o calor de fim de ano perdoa. Uma placa diz: “Temos Wi-Fi, porém conversem entre vocês”. Com uma cabine de som tocando uma música eletrônica ensurdecedora para quem busca tranquilidade na hora de comer, era impossível qualquer diálogo. R. Chilon, 381, V. Olímpia, 99653-9632.

PANELA NA RUA: Ao lado da tradicional praça Benedito Calixto, o espaço tem boa infraestrutura, com banheiros de alvenaria e funcionários atentos à limpeza. Mas o espaço, fechado e ruidoso, acaba ganhando ares de praça de alimentação de shopping. Com o agravante de que não há bancos e os preços não são nada convidativos. Sanduíches e pratos não saem por menos de R$ 20. Pça. Benedito Calixto, 85, Pinheiros. 5ª, 18h/22h; dom., 12h/18h.

JARDIM DAS PERDIZES: Para visitar esta feirinha gastronômica , é melhor ir de carro. O acesso ao local é complicado e mal sinalizado, já que fica dentro da obra do complexo imobiliário de mesmo nome. No entanto, o espaço para até 50 expositores conta com boas opções de barracas e food trucks, além de banheiros limpos e mesas de madeira com guarda-sóis. Av. Marquês de São Vicente, 2.301, Barra Funda. Sáb. e dom., 12h/20h.

CENARIUM: Inaugurado há duas semanas, o espaço disputa seu lugar ao sol em meio à avalanche de parques gastronômicos inaugurados recentemente. Tem cerca de 15 expositores, entre barraquinhas e food trucks, em um local limpo, organizado e com bastantes mesas e assentos. O único item a melhorar são os banheiros químicos, sujos e sem torneira para lavar as mãos. R. Voluntários da Pátria, 498, metrô Portuguesa-Tietê. 11h/20h (2ª, 3ª e 4ª, 11h/16h)

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