Tucano diz que Ciro fará o que Lula pedir

Governador dá entrevista a programas populares e defende o Bolsa-Família

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Um dia após a divulgação da pesquisa CNT/Sensus, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), concedeu entrevistas a programas populares de rádio e TV, durante os quais defendeu a manutenção do Bolsa-Família e criticou comparação entre as gestões de Lula e Fernando Henrique Cardoso no debate eleitoral do ano que vem. Nome cotado no PSDB para disputar a Presidência, Serra também comentou a aproximação do governador mineiro, Aécio Neves, outro presidenciável tucano, com o deputado Ciro Gomes, pré-candidato do PSB. "Ciro nem candidato é. E ele não vai fazer nada que o Lula não queira", afirmou. "Acho que isso é jogo político, não tem consequência nenhuma ao meu ver."

Serra concedeu entrevista à rádio Jovem Pan, retransmitida para 20 capitais e 141 cidades. Conversou com a rádio Verdes Mares, de Fortaleza, para onde viaja na sexta. No final do dia, foi ao Programa do Ratinho, no SBT. No começo do mês, apareceu no programa da apresentadora Hebe Camargo.

Serra minimizou o fato de estar na frente nas pesquisas. "Se você está ganhando uma partida de quatro a zero, acha que vai ser sempre assim? Não vai, seria muita moleza. Ganhar a gente ganha por pouca diferença. Pega resultado de um ano, está 40 pontos na frente. Ninguém acha que vai se manter."

Embora tenha negado ser candidato, disse que o eleitor tem de dar ênfase ao "currículo" dos candidatos - o PSDB pretende enfatizar essa questão na disputa. O tucano minimizou a influência da economia no resultado eleitoral. "Não acredito que isso vai decidir ou deixar de decidir a eleição. A população vai olhar para os candidatos e querer saber quem é mais preparado." Para ele, o debate eleitoral não será pautado por comparação entre as gestões de Lula e FHC. O esforço nesse sentido, diz, é "tática política". "Essa questão do Fernando Henrique foi provavelmente enfiada de contrabando na pesquisa para terem o que comentar." Segundo a pesquisa CNT/Sensus, 76% dos entrevistados consideram a gestão Lula melhor que a de FHC.

Sem citar a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, acusada de fazer campanha antes do prazo, disse: "Perder tempo seria deixar as coisas do governo de lado para ficar viajando, fazendo campanha, fingindo que estou administrando". Sobre a aliança entre PT e PMDB, Serra afirmou que "o jogo político vai continuar". Na entrevista, ele também falou sobre o câmbio valorizado. "Teria dado para evitar essa situação", comentou, ao citar a crise como momento certo para diminuir mais os juros.

Em entrevista ao Programa do Ratinho e à Verdes Mares, Serra prometeu continuar com o Bolsa-Família. "Eu sucedi ao PT na Prefeitura de São Paulo. Tudo aquilo que dava certo eu não mantive, apenas. Eu melhorei." COLABOROU CARMEN POMPEU

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