Tucano testa discurso no rádio e na TV

ANÁLISE

José Roberto de Toledo *, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

Pressionado pelo PSDB e pelo DEM a definir sua candidatura, José Serra intensificou o teste de seu discurso de campanha em entrevistas a programas de TV e rádio nos últimos dias. Para impor sua agenda, ele precisa comparar-se a Dilma Rousseff, não a Lula, convencer o eleitor de que manterá os programas aprovados pela população e tirar o governo Fernando Henrique do debate.

Ao mesmo tempo, os adversários fazem o oposto. O resultado será aferido por pesquisas quantitativas de intenção de voto e entrevistas com grupos de eleitores, as pesquisas qualitativas, encomendadas pelos partidos e comitês de campanha. Antes de avaliar a eficácia do discurso, dificilmente Serra se lançará candidato.

Como o governador testa seu discurso? Como anotou a repórter Julia Duailibi, no Estadão, Serra, sempre que pode, diz que o eleitor deve comparar o currículo dos candidatos. Mesmo sem se referir diretamente a Dilma, ele assim procura mostrar que sua adversária é a ministra, e não Lula. Numa comparação direta, ele levaria vantagem pela experiência e trajetória.

Enquanto governo federal e PT tentam fundir as imagens de Dilma e do presidente, colando-os em todas as oportunidades de aparição pública, o tucano procura agir como solvente. Até agora, a lenta mas constante evolução de Dilma nas pesquisas tem mostrado que essa cola é mais forte do que o discurso de Serra.

O governador precisa afastar os temas que favorecem a candidata da situação. Por ora, a economia é um deles. Serra descarta o crescimento como mote da eleição e volta ao discurso do "candidato mais preparado", como ele deve aparecer nas pesquisas qualitativas do PSDB. Ainda sobre os temas que lhe são indesejáveis, qualificou a comparação dos governos Lula e FHC como "contrabando" na pesquisa CNT/Sensus.

Esta semana, Serra escolheu dizer à rádio cearense Verdes Mares, para alcançar a população nordestina, que, se eleito, manterá o Bolsa-Família, que tem forte aceitação e influência no Nordeste. Seu discurso é dizer que, como prefeito, manteve os programas sociais petistas em São Paulo e, segundo ele, melhorou-os.

O problema desse discurso é que ele cabe melhor na boca de um candidato da situação. O eleitor pode perguntar: se é para manter, por que mudar?

A grande lacuna é uma agenda própria que cative o eleitorado. Falta uma bandeira que mobilize os eleitores e paute os debates. Sem ela, a tendência, diante do grau de aprovação de Lula, é a campanha virar plebiscito contra ou a favor de seu governo - tudo que a oposição não quer.

* É jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.