Tumulto marca 1.ª audiência sobre rancho poligâmico nos EUA

Sessão foi marcada por caos entre mais de 200 advogados das 416 crianças envolvidas

Da BBC Brasil, BBC

18 de abril de 2008 | 05h45

A primeira audiência do caso sobre o rancho de poligamia que abrigava 416 crianças no Texas, Estados Unidos, foi marcada por caos, diz a edição desta sexta-feira, 18, do jornal americano The New York Times. No começo do mês, o rancho foi alvo de uma ação policial após acusações de que uma adolescente de 16 anos havia sofrido abusos físicos e sexuais no local. A Justiça irá decidir sobre a custódia das crianças recolhidas no rancho, que pertence à Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Último Dia (FLDS, sigla em inglês). Segundo o jornal, a confusão no tribunal foi causada porque se trata de uma audiência coletiva que conta com a presença de cerca de 200 advogados de defesa das famílias envolvidas na seita. Por causa do tamanho, o júri teve que ser dividido em dois locais diferentes e as provas tiveram que ser copiadas para que todos pudessem analisar os documentos que fazem parte do processo judicial. A juíza encarregada do caso, Barbara Walther teve que parar a audiência por uma hora para que a primeira prova circulasse entre os interessados e fosse registrada pelo júri. O New York Times ressalta que os advogados reclamam da audiência coletiva e afirmam que cada família deveria ter uma audiência individual para decidir sobre a custódia das crianças. De acordo com o jornal, a principal tarefa do júri será estabelecer se as crianças sofreram abuso ou estavam sob risco de abuso. A dificuldade, segundo o NYT, é reforçada pelo mecanismo das famílias não tradicionais, nas quais as crianças são criadas por várias mães, todas casadas com o mesmo homem. Apesar de a poligamia ser ilegal nos EUA, os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido. O NYT traz o depoimento de um dos advogados que participa do caso, Tom Vick, voluntário que representa as crianças. Em entrevista ao jornal, ele disse que a participação em uma seita poligâmica não é a questão central.  "As pessoas querem olhar para isso como um assunto religioso ou uma questão de poligamia. Trata-se de abuso infantil", afirmou Vick. No entanto, a especialista em direito da criança Jane Spinak, ouvida pelo jornal, afirmou que "o que irá acontecer nesse caso e exatamente isso, a cultura religiosa será colocada em julgamento".   A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mormon. O proprietário do rancho onde as crianças foram encontradas, na cidade de San Antonio, é o líder da FLDS, Warren Jeffs, que foi preso em novembro por 10 anos por cumplicidade em um estupro. Jeffs foi condenado após ter forçado uma adolescente de 14 anos a se casar com um primo. O líder religioso, que se proclama profeta, aguarda outros julgamentos no Arizona, em que é acusado de ser cúmplice em quatro casos de incesto e conduta sexual com uma menor de idade, fruto de dois casamentos arranjados.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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