Tunísia conta votos após primeira eleição da Primavera Árabe

Islamistas moderados disseram nesta segunda-feira que o seu partido parecia estar à frente na primeira eleição livre da Tunísia desde o levante, no início do ano, que iniciou as revoltas da Primavera Árabe, indicando uma mudança em um país conhecido por seu secularismo.

TAREK AMARA E CHRISTIAN LOWE, REUTERS

24 Outubro 2011 | 07h59

A maior parte das previsões apontava que o partido Ennahda teria o maior número de votos, um resultado que preocupa os secularistas e pode se replicar em outros Estados árabes quando eles realizarem suas próprias eleições pós-Primavera Árabe.

A rádio tunisiana anunciou números da votação obtidos nos bairros na cidade de Beja, no norte, que mostravam o Ennahda na liderança e o Congresso para o Partido Republicano (CPR), de centro-esquerda, também se saindo bem.

"Os resultados são muito bons para o Ennahda. Não queremos dar detalhes, mas está claro que o Ennahda desfrutou de um nível de sucesso que, em alguns casos, iguala os resultados da votação no exterior", disse uma autoridade do partido.

O Ennahda, citando uma contagem não oficial de votos depositados pela diáspora tunisiana antes da eleição de domingo, disse que havia indícios de que havia obtido metade dos votos no exterior.

A assembleia de 217 cadeiras que está sendo eleita pelos tunisianos vai funcionar durante um ano. Durante esse tempo vai reescrever a constituição, escolher um novo governo interino e estabelecer as datas para eleições parlamentares e presidenciais.

O comparecimento foi de mais de 90 por cento - uma prova da determinação dos tunisianos em exercer seus novos direitos democráticos depois de décadas de repressão.

Samir bin Omar, do CRP, disse que seu partido esperava ficar em segundo lugar, o que seria um golpe para o Partido Democrata Progressivo (PDP). O PDP se destacou entre os principais partidos por sua oposição declarada a participar de uma coalizão governista com o Ennahda.

O partido RCD, do presidente deposto Zine al-Abidine Ben Ali, foi dissolvido e nenhum grupo emergiu para reunir os partidários do antigo regime.

Com um número inesperado de votos para contabilizar, autoridades eleitorais disseram que teriam resultados nesta segunda-feira ou mais tarde.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban ki-Moon, elogiou a Tunísia pela eleição e exprimiu esperança de que o processo termine de forma tranquila.

"O secretário-geral encoraja todas as partes interessadas a permanecerem comprometidas com os princípios da inclusão e transparência nas partes remanescentes do processo de transição", dizia um comunicado.

O presidente norte-americano Barack Obama disse que a revolução da Tunísia em janeiro havia "mudado o curso da história".

"Assim como tantos cidadãos tunisianos protestaram pacificamente nas ruas e praças para reclamar seus direitos, hoje eles ficam em filas e depositam seus votos para determinar o próprio futuro", disse em comunicado divulgado pela Casa Branca.

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