Tunísia inicia período de luto por vítimas de protestos

A Tunísia iniciou na sexta-feira um período de três dias de luto oficial pela morte de dezenas de pessoas nos protestos ocorridos antes e depois da queda do presidente Zine al Abidine Ben Ali.

LIN NOUEIHED E ANDREW HAMMOND, REUTERS

21 de janeiro de 2011 | 10h27

Cerca de 400 pessoas fizeram uma manifestação em frente à sede da estatal Companhia Tunisiana de Transportes, exigindo a demissão de dirigentes ligados ao antigo regime.

Um funcionário, que se identificou como Moftah, disse: "Essa companhia tem gente corrupta, e é hora de exigir nossos direitos. Não vamos silenciar sobre isso, queremos essa minoria fora."

O governo provisório que assumiu após a fuga de Ben Ali para a Arábia Saudita, na semana passada, disse que escolas e universidades reabrirão na segunda-feira. O ministro da Juventude e Esportes, Mohamed Aloulou, informou a jornalistas que os eventos esportivos serão retomados "muito em breve".

O governo diz que pelo menos 78 pessoas morreram desde o início da rebelião popular que derrubou Ben Ali, mas a ONU estima que houve cerca de cem vítimas fatais.

O novo governo, que ainda enfrenta protestos por ter mantido membros do gabinete anterior, ofereceu uma anistia geral a todos os grupos políticos, inclusive à proscrita oposição islâmica.

Os manifestantes se queixam de que, apesar da anistia prometida, apenas umas poucas centenas dos presos políticos foram soltos. Não se sabe ao certo quantos prisioneiros políticos havia durante o governo de Ben Ali, que durou 23 anos.

Na quinta-feira, o partido RCD, hegemônico no país desde a independência, dissolveu sua direção política, e os demais partidos estão autorizados a operar livremente.

"Não podemos negar que há pessoas honestas e patriotas dentro desse partido", disse o jornal La Presse. "Eles precisam renovar os elementos saudáveis e politicamente tolerantes de um partido que foi formado na luta pela independência."

"A nova arena política com muitos partidos é um sonho tunisiano que foi realizado, mas só será completado quando (esses partidos) tiverem programas claros e práticos para o desenvolvimento nacional", disse o jornal Al Sahafa.

A TV estatal mostrou imagens de armas sendo retiradas de casas de familiares de Ben Ali, um clã odiado pela população por sua fama de corrupção. "Isso mostra os excessos da família", disse a emissora.

Ben Ali foi derrubado após semanas de protestos causados pela pobreza, o desemprego e a repressão. Foi a primeira rebelião genuinamente popular a derrubar um líder do Oriente Médio desde a deposição do xá do Irã, em 1979.

(Reportagem adicional de Tarek Amara)

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