Tunísia prende dono de canal de TV privado por 'traição'

A Tunísia prendeu o proprietário de um canal de televisão privado por "traição ao Estado" por incitar a violência e trabalhar para o ditador expulso Zine al-Abidine Ben Ali, disse a agência de notícias estatal no domingo.

ANDREW HAMMOND, REUTERS

23 de janeiro de 2011 | 16h40

"O proprietário da Hannibal TV (Larbi Nasra), que é parente da esposa do ex-presidente, está utilizando o canal para abortar a revolução da juventude, espalhar confusão, incitar a violência e divulgar informações falsas", disse um comunicado citando uma fonte autorizada.

"O objetivo é criar um vácuo constitucional, arruinar a estabilidade e levar o país a um vórtex de violência que trará de volta a ditadura do ex-presidente."

O ex-ditador Zine al-Abidine Ben Ali foi derrubado este mês por uma revolta popular por causa da pobreza, da corrupção e da repressão política. O movimento assustou os países árabes e governos ocidentais que há muito apoiavam Ben Ali.

Mas, desde então, Túnis e outras cidades têm visto protestos diários contra o governo interino que contém vários lealistas do tempo de Ben Ali, inclusive o primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi.

Ex-membros do partido governista de Ben Ali, o RCD, continuam em ministérios chave, especialmente os da defesa, do interior e de relações exteriores.

Os protestos, que não pararam, têm sido pacíficos e a polícia já até permitiu, no sábado e no domingo, que os manifestantes derrubassem barricadas colocadas no complexo do primeiro-ministro.

O exército ajudou a recompor a ordem depois da fuga de Ben Ali para a Arábia Saudita. As autoridades dizem que Ben Ali deixou para trás milícias que enfrentaram o exército. Um toque de recolher noturno continua em vigor.

A agência de notícias da Tunísia disse que Nasra e seu filho haviam sido presos "para garantir a segurança da nação e o sucesso da revolução."

"Eles serão transferidos para o sistema de justiça para serem processados por traição ao estado e conspiração contra o país", disse a agência.

Lutfi Salami, porta-voz do canal criado em 2005, recusou-se a comentar as acusações, mas disse que as autoridades de telecomunicações haviam interrompido as transmissões do canal.

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