Tunísia rejeita 'interferência' italiana contra migrantes

A Tunísia reagiu com irritação à hipótese de o governo italiano enviar policiais ao norte da África para tentar conter o fluxo de migrantes que tentam chegar clandestinamente à Itália.

REUTERS

14 de fevereiro de 2011 | 10h21

O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, fez essa sugestão em resposta ao que qualificou de "êxodo bíblico" que levou mais de 2 mil pessoas a desembarcar na semana passada na ilha italiana de Lampedusa, vindas da vizinha Tunísia.

O chanceler italiano, Franco Frattini, chega na noite de segunda-feira a Túnis para se reunir com o primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi, segundo um porta-voz da chancelaria em Roma.

A Tunísia tenta restaurar a ordem depois da rebelião popular que depôs o ditador Zine al-Abidine Ben Ali no mês passado.

Em nota divulgada pela agência estatal de notícias, a chancelaria tunisiana expressa "sua surpresa com essa posição (de Maroni), e confirma que rejeita categoricamente qualquer interferência em seus assuntos internos ou qualquer infração à sua soberania".

"A Tunísia reitera sua disposição de cooperar com países fraternos a fim de identificar soluções apropriadas para o fenômeno da migração ilegal, com base no respeito à dignidade e aos diretos humanos", acrescenta a nota. "A Tunísia espera estudar essa questão com total abertura com as autoridades italianas durante reuniões nos próximos dias."

Maroni, ligado ao partido anti-imigração Liga Norte, havia dito que a chegada de tunisianos à Itália depois da rebelião no país africano é "um êxodo bíblico nunca antes visto".

"Pedirei ao chanceler tunisiano autorização para que um contingente italiano possa intervir para bloquear o afluxo. O sistema tunisiano está desmoronando", disse Maroni a uma TV no domingo.

(Reportagem de Tarek Amara em Túnis e Deepa Babington em Roma)

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