Paul Hackett/Reuters
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Tunísia vai extraditar ex-premiê de Kadafi para a Líbia

Ali al-Mahmoudi seria o primeiro oficial de alto escalão a ser enviado de volta para julgamento

TAREK AMARA, REUTERS

22 Maio 2012 | 14h24

TÚNIS - A Tunísia vai extraditar o antigo primeiro-ministro do ex-líder líbio Muammar Kadafi para a Líbia e a transferência poderá acontecer em "dias ou semanas", disse o ministro da Justiça tunisiano, Noureddine Bouheiri, nesta terça-feira, 22.

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Se ele for entregue, Al Baghdadi Ali al-Mahmoudi seria o primeiro oficial de alto escalão a ser enviado de volta para julgamento sob a liderança de transição da Líbia e a sua extradição poderia estabelecer um precedente para outros países que deram refúgio ou prenderam membros da velha comitiva de Kadafi.

Mahmoudi serviu como primeiro-ministro do ditador líbio desde 2006 até a fuga para a vizinha Tunísia na época em que rebeldes tomaram a capital Trípoli, em agosto. Um tribunal tunisiano decidiu em novembro que Mahmoudi deveria ser extraditado.

Mas o presidente Moncef al-Marzouki disse mais tarde que a entrega não aconteceria até que a situação na Líbia houvesse se estabilizado e Mahmoudi pudesse ter um julgamento justo depois que Gaddafi foi morto por rebeldes e seu cadáver foi exposto.

Bouheiri disse na terça-feira que a decisão tinha sido tomada. "O governo decidiu entregar Mahmoudi e tudo o que resta é a conclusão de algumas questões organizacionais", afirmou Bouheiri à Reuters em uma entrevista.

"Isso pode acontecer dentro de dias ou semanas, ou talvez mais ... Nossos irmãos líbios se comprometeram a respeitar Mahmoudi fisicamente e emocionalmente e dar-lhe um julgamento justo."

Oficiais do Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT), no poder desde a queda de Kadafi, há muito tempo pediram que o vizinho norte-africano entregasse Mahmoudi para julgamento.

Um porta-voz do CNT saudou a notícia, mas disse que não houve acordos firmes ainda em vigor para a ação.

"Estamos esperando Mahmoudi ser enviado de volta para nós porque negociamos com os tunisianos e agora eles estão cumprindo a sua promessa para nós", afirmou o porta-voz do CNT Mohammed al-Harizy.

"Nós estamos contentes que ele voltará a ser julgado aqui. Quando ele chegar, vamos alimentá-lo e colocá-lo em um lugar seguro."

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