Tunísia vota em primeira eleição livre para presidente da era pós-Ben Ali

Tunisianos foram às urnas neste domingo para escolher o primeiro presidente em uma eleição livre direta, no passo final de transição para uma democracia completa no país do norte da África após a revolução de 2011 que tirou Zine el-Abidine Ben Ali do poder.

REUTERS

23 Novembro 2014 | 18h15

Os resultados oficiais ainda não foram anunciados, mas logo depois do fechamento das urnas Beji Caid Essebsi, do partido laico Nidaa Tounes, disse estar à frente na disputa por pelo menos 10 pontos percentuais.

Essebsi, que foi membro do governo de Ben Ali, e o presidente interino Moncef Marzouki são apontados como os favoritos, mas analistas disseram que nenhum dos dois deverá receber votos suficientes para evitar um segundo turno em dezembro.

"Essebsi está na frente, de acordo com os primeiros resultados, com uma grande diferença ante o segundo candidato", disse o coordenador de campanha de Essebsi, Mohsen Marzouk. "Há uma forte possibilidade de segundo turno."

O coordenador da campanha de Marzouki disse que seu candidato irá para o segundo turno com Essebsi, mas não fez estimativas sobre a votação.

Partidos políticos têm observadores nas seções eleitorais que atuam como testemunhas na contabilização preliminar dos votos, o que permite a ele realizar uma contagem extraoficial.

Mais de três anos depois da deposição de Ben Ali, a Tunísia adotou uma nova constituição e os partidos rivais, leigos e islâmicos, conseguiram evitar amplamente os conflitos que enfrentam outros países que registraram revoltas populares na chamada Primavera Árabe, movimento que começou derrubando o governo da Tunísia e depois se espalhou por Líbia, Egito e Iêmen, além de provocar guerra na Síria.

"Este é mais um dia na história da Tunísia", disse o eleitor Mouna Jeballi, ao registrar seu voto em Túnis. "Agora nós somos o único país do mundo árabe que não sabe quem vai ser seu presidente antes do fim da votação."

(Por Tarek Amara e Patrick Markey)

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