Tunisianos tomam as ruas contra governo dois anos após queda de Ben Ali

Milhares de tunisianos protestaram contra o governo liderado por islâmicos nesta segunda-feira, exatamente dois anos após a derrubada do presidente Zine El Abidine Ben Ali em uma revolta popular que inspirou outras em todo o mundo árabe.

TAREK AMARA, Reuters

14 de janeiro de 2013 | 13h43

Mais de 8.000 manifestantes seculares se reuniram em frente ao Ministério do Interior na Avenida Bourguiba, em Túnis, o mesmo local onde os protestos forçaram Ben Ali a aceitar que seu regime tinha acabado e o levaram a fugir do país em 14 de janeiro de 2011.

O partido islâmico moderado Ennahda venceu as eleições em outubro de 2011, mas tem encontrado dificuldades para restaurar a segurança e a estabilidade.

Os manifestantes estão descontentes com o desemprego e os preços altos, bem como com a violência ligada a elementos religiosos.

Eles encheram a avenida central da capital nesta segunda-feira carregando faixas que diziam "Sem medo, sem terror, o poder pertence ao povo" e "Não à ditadura emergente. Não à ditadura religiosa".

Acenando bandeiras vermelhas e brancas da Tunísia, eles gritavam: "Ennahda fora" e "Onde está a Constituição? Onde está a democracia?".

Os tunisianos se levantaram contra Ben Ali depois de o vendedor ambulante Mohamed Bouazizi atear fogo a si mesmo na cidade de Sidi Bouzid.

A agitação, então, tomou conta de grande parte do mundo árabe, expulsando ou desafiando os governantes no Egito, Líbia, Iêmen, Bahrein e Síria, que ainda está mergulhada em uma guerra civil que a ONU diz que custou mais de 60.000 vidas.

"Eu estava aqui há dois anos no mesmo lugar. O ditador se foi e nós conseguimos liberdade de expressão, mas ainda enfrentamos muitas dificuldades, como surtos de violência, falta de segurança, continuação do desemprego e alto custo de vida", disse a líder do Partido Republicano, Maya Jribi, à Reuters.

Na mesma rua, cerca de 2.000 partidários do governo se reuniram para celebrar o segundo aniversário da revolução, mas não houve confrontos entre os dois lados.

Centenas de policiais se posicionaram na ruas.

"A oposição está tentando frustrar o governo e recusa diálogo ou participação em qualquer governo", disse à Reuters Ahmed Salhi, um partidário do governo de 45 anos.

"Seu único objetivo é não ver os islâmicos governarem a Tunísia."

A tensão vem crescendo entre islamistas e secularistas desde que o movimento Ennahda ganhou a eleição.

No mês passado, centenas de partidários do governo e esquerdistas entraram em confronto na capital, alimentando temores sobre o sucesso da transição para a democracia.

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