Turbulência italiana assombra euro; Eslováquia deve apoiar fundo

A Itália preparava-se para um voto de confiança no governo de Silvio Berlusconi, enquanto líderes eslovacos chegaram nesta quarta-feira a um acordo para a aprovação do fundo de resgate da zona do euro, após intensos debates, exemplos dos obstáculos políticos que dificultam uma solução para a crise da dívida no bloco.

PHILI, REUTERS

12 de outubro de 2011 | 12h12

Na terça-feira, o governo da Eslováquia havia perdido um voto de confiança para garantir um plano de fortalecimento do fundo de resgate na zona do euro (EFSF, na sigla em inglês). Mas nesta quarta-feira, a oposição liderada por Robert Fico e partidos governistas chegaram a um acordo para aprovar o plano.

O acordo na Eslováquia vem após a autoridade econômica máxima da União Europeia dizer em Dublin que a zona do euro se encontra "em situação muito perigosa", pressionando os governos a tomarem medidas fortes em uma cúpula da UE que foi adiada para 23 de outubro para dar tempo aos políticos de idealizarem uma nova estratégia para a Grécia e os bancos em situação problemática.

Inspetores da Europa e do FMI deram luz verde na terça-feira para a Grécia receber uma nova parcela de ajuda necessária para evitar uma moratória, mas os novos dados mostraram que o déficit orçamentário grego está crescendo, e fiscais de impostos gregos prometeram entrar em greve na próxima semana para protestar contra cortes salariais e de pensões.

Dois anos depois do início de uma crise que, segundo líderes avisaram, poderia mergulhar as economias ocidentais de volta em uma recessão, a zona do euro, com 17 países, se esforça para encontrar a solução "big bang" que governos estrangeiros, economistas e investidores dizem ser necessária para impedir o contágio.

Alemanha e França prometeram fazer propostas para um novo "plano abrangente" até o final do mês, suscitando esperanças nos mercados financeiros. Na quarta-feira o euro atingiu o nível mais alto em quase um mês, em relação ao dólar.

Mas fontes dizem que ainda falta muito para os dois países poderem chegar a uma solução. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, deve propor ainda nesta quarta-feira um plano para a recapitalização dos bancos europeus, uma das questões mais contenciosas.

Enquanto isso, turbulências políticas em outros países da zona do euro estão alimentando as incertezas sobre a resposta do bloco à crise, mantendo os investidores nervosos.

Um grupo de estadistas europeus, incluindo os ex-ministros do Exterior alemão e francês Joschka Fischer e Bernard Kouchner, avisou que a busca por soluções nacionais, ao invés de europeias, corre o risco de dilacerar o bloco.

GRAVES RECEIOS

Em um comunicado em tom incomumente franco, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, expressou graves dúvidas sobre a capacidade do governo do premiê Silvio Berlusconi de cumprir as reformas econômicas prometidas.

O líder italiano, que sofreu novas pressões para renunciar na semana passada depois de sugerir que seu partido mudasse de nome, adotando como novo nome um termo de baixo calão para designar a genitália feminina, sofreu outro constrangimento na terça-feira quando não conseguiu fazer aprovar um dispositivo orçamentário chave.

Berlusconi pretende discursar para o Parlamento na quinta-feira, e é provável que seja realizado um voto de confiança no dia seguinte.

Os mercados também estão de olho na Eslováquia, país de apenas 5,4 milhões de habitantes --menos de 2 por cento da população do bloco do euro.

O governo da primeira-ministra Iveta Radicova desabou na terça-feira depois de parlamentares terem rejeitado um plano de reforçar o fundo europeu de estabilidade financeira, de 440 bilhões de euros.

(Reportagem adicional de Jan Lopatka e Martin Santa em Bratislava, Laurence Fletcher em Londres, Carmel Crimmins em Dublin e Harry Papachristou em Atenas)

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